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13 de julho de 2010

ERA LULA MITIGA ADESÃO DE BASES CATÓLICAS AO PT



O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma "despetização" desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.

As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. "Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades", analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação - o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e "de cabelos mais brancos", segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.

Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: "No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim", afirma Beozzo. "Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular", relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

De outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% - um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.

O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.

Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. "Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais." Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a "desafeição no campo religioso" a que se refere Beozzo.

Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era "CEBs: Ecologia e Missão - Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia". "Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja", discursou dom Moacyr.

Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática - partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.

O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. "As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo", analisa Frei Betto. "Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano", relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.

O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 - quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.

"O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde", conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária - e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema - tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina - que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs - recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.

Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos "sem-partido" do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. "Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades", afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.

Whitaker e Frei Betto - este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação - apontam também um outro fator para a "despetização" das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. "O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária", diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.

A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. "As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica", conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.

A "laicaização" do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. "O mensalão bateu forte nas bases católicas", avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das "práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil", conforme carta aberta divulgada por Whitaker. "Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido", conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco - uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.

Os "sem-partido", no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa "despetização" de "saída para a sociedade": o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também - e quase definitiva - na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.

O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.

Embora a "saída para a sociedade" tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. "Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano", analisa Arruda Sampaio. "Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição", diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB

Fonte: Valor Econômico online

Por: José Oscar Beozzo, teólogo e membro da teologia da libertação

14 de maio de 2009

Arquidiocese do Rio vai apurar destino de R$ 5 mi; monsenhor fala em "supérfluo" e "vaidade"


da Folha de S.Paulo, no Rio
O novo ecônomo da Arquidiocese do Rio, monsenhor Abílio Ferreira da Nova, 75, afirmou que vai apurar o uso dos R$ 5,15 milhões depositados pela prefeitura da cidade, em 31 de março, como pagamento de uma ação judicial. O dinheiro, diz ele, já foi todo gasto.

"Não sei se foi bem usado. Uma parte foi gasta com supérfluos e vaidades", disse o monsenhor, na sua sala no prédio da arquidiocese, na zona sul.

A reforma do seu escritório é um dos pontos que será apurado no trabalho. A sala ficou com teto de gesso, iluminação especial e móveis de luxo. O sofá mais barato custa R$ 17,2 mil, na loja em que foi comprado. O mais caro, R$ 21,3 mil. Os dois são de couro com enchimento de penas de ganso. Já as duas poltronas são vendidas por R$ 13,6 mil, cada uma, segundo reportagem do jornal "O Dia".

"Estou melhor que o presidente da República. Tenho escrúpulos e não sento nelas. Esse dinheiro tinha de ser usado no trabalho com os pobres", disse Nova, que substituiu o padre Edvino Steckel. Este é apontado pelo monsenhor como o responsável pelos gastos. A sala com os móveis caros era antes ocupada por Steckel.

Ele foi afastado do cargo de ecônomo depois de ter comprado um apartamento de luxo que serviria de residência no Rio para d. Eusébio Scheid, arcebispo emérito (aposentado). D. Eusébio foi o responsável pela nomeação de Edvino para o cargo, em 2008. O apartamento de cerca de 500 m2 é avaliado em R$ 2,2 milhões.

"O incrível é que ficamos sem dinheiro no caixa. Até para pagar os funcionários está difícil e vamos precisar de doações", disse Nova, acrescentando que deixou o cargo no início de 2008 com cerca de R$ 7 milhões na conta da arquidiocese.

O dinheiro e o depósito da prefeitura serviriam para a reforma de um prédio no centro do Rio, que pertence à arquidiocese --o aluguel das salas é sua maior fonte de renda.

Nova estuda até leiloar os móveis de sua sala para poder pagar os 200 funcionários. Segundo ele, a folha salarial é de cerca de R$ 400 mil mensais. Caso o estudo comprove desvio de recursos nas contas da arquidiocese, o caso poderá chegar ao Tribunal Eclesiástico.

Padre Steckel não foi encontrado ontem pela reportagem. O novo arcebispo, d. Orani João Tempesta, também se recusou a comentar o caso.

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Fonte: Folha Online

7 de julho de 2008

A Igreja de Hugo Chávez

"Igreja Católica Reformada". Este é o nome da confissão fundada na Venezuela por um grupo de religiosos que se identificam politicamente com o presidente Hugo Chávez. Entre as novidades que apresentam, inclui-se a aceitação do divórcio, da homossexualidade e do casamento dos padres.

Segundo relata o jornal espanhol El Mundo, os membros desta igreja são dissidentes de outras confissões cristãs, mas defendem "os ideais socialistas de Chávez" que consideram estar em sintonia com o "objectivo cristão de ajudar os pobres".

Quem não vê com bons olhos este novo movimento são aquelas igrejas que perderam alguns dos seus elementos. E as críticas já de fizeram sentire por parte da Conferência Episcopal venezuelana, da Comunhão Anglicana e da Igreja Luterana.

"Heréticos e dissidentes". É assim que o cardeal venezuelano Jorge Urosa Sabino descreve os membros da Igreja Católica Reformada, dando voz a um comunicado da Conferência Episcopal do seu país, para acusar de "gravíssimo pecado" o que considera ser um "cisma" e "um escândalo para os fiéis".

Maior parte dos cerca de dois mil seguidores desta nova confissão religiosa concentra-se no estado de Zulia e distribui-se por cinco templos venezuelanos, com a sede em Ciudad Ojeda. "Socialista, bolivariana e revolucionária". Esta é uma espécie de triple insígnia, que a distingue da matriz católica, com quem tem outras divergências, tal como a aceitação da homossexualidade, do divórcio e do casamento dos sacerdotes - opção tomada por quase todos os pastores que a compõem.

Reflexo ou não das fricções do presidente venezuelano com a Igreja Católica no país, certo é que Hugo Chávez não vê com bons olhos os seus dirigentes a quem já chamou "vagabundos" e "atrasados mentais", apontando que "alguns levam o diabo debaixo da sotaina".


Colaboração: Rodney Eloy - AntenA CristÃ

19 de junho de 2008

Bispo Dom Clemente Isnard lança livro e desafia leis da Igreja



Neste livro, Dom Clemente expõe, com coragem e testemunho, alguns pensamentos elaborados a partir de sua longa experiência pastoral. O autor não pretende atentar contra a fé católica, mas expressa o que muitos bispos pensam e gostariam de dizer acerca de temas ainda tidos como polêmicos ou como tabus dentro da Igreja católica. A vocação sacerdotal não celibatária, o lugar da mulher na Igreja, as ordenações femininas, a nomeação dos bispos com participação popular e a sucessão apostólica estendida a todos os bispos são alguns dos temas sobre os quais Dom Clemente, de forma moderada e equilibrada, expressa seu pensamento.

Trechos da sua entrevista sobre o livro:
"Não nos comportemos como fariseus"
A dedicação de dom Clemente Isnard à Igreja Católica se aproxima de sete décadas. Nesse tempo, ele ssumiu diversas funções. Foi o primeiro bispo de Nova Friburgo, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), além de ter participado como padre conciliar de todas as etapas do Vaticano II e integrado comissões junto à Santa Sé. O bispo emérito conhece bem os caminhos da Igreja, especialmente no campo litúrgico. Parte desse conhecimento está no livro Viver a liturgia também a ser lançado hoje, no qual reúne uma série de reflexões. Na obra, dom Isnar afirma que à medida que a idade vai chegando, sente-se mais livre para escrever o que pensa. "Gozando de plena liberdade, posso elogiar ou criticar também autoridades eclesiásticas sem considerar cargos ou pessoas", salienta.

Por que escrever sobre temas polêmicos como o celibato e a escolha dos bispos?
Dom Clemente Isnard: Para dar meu testemunho como bispo para o povo.
E como surgiu a idéia da publicação?
Dom Clemente Isnard: Depois da missa de meus 90 anos, na Igreja das Fronteiras, no ano passado. Na homilia, falei dos meus sonhos para a Igreja e depois da celebração padre José Comblin, da Paraíba, pediu para eu escrever. O livro é o resultado.
Alguma autoridade chegou a pedir diretamente para que o senhor desistisse?
Dom Clemente Isnard: Todos os bispos do Regional Leste 1, que reúne as dioceses do Rio de Janeiro, fizeram uma carta me pedindo para não publicar o livro. Eles alegavam que os assuntos poderiam ser mal interpretados e isso seria ruim para a Igreja.
E se o Vaticano chamar o senhor como fez com Leonardo Boff nos anos 80?
Dom Clemente Isnard: Já estou velho, mas vou lá. Repito o que está no livro e outras coisas mais. Tudo farei sobre a luz do Evangelho, que pediu para não nos comportarmos como fariseus.

Trechos do livro
PARTICIPAÇÃO POPULAR
Dom Clemente Isnard: "Sabemos que certas nomeações episcopais são mal acolhidas pelo povo, e com razão. Quando se fala que o leigo de hoje chegou à maturidade, reconhece que é um dever urgente voltar aos costumes do primeiro milênio no que toca à eleição dos bispos (...) Como seria bom e bonito que, no dia marcado, o bispo metropolitano, se reunisse com representantes do clero e do povo e escolhessem todo o futuro bispo."
CELIBATO SACERDOTAL
Dom Clemente Isnard: "Fala-se tanto na falta de sacerdotes, nas paróquias sem padres, nos padres que se secularizaram deixando o ministério. E não se pensa nos padres de valor e que se casaram e que poderiam ter continuado no ministério se a Igreja lhes tivesse concedido matrimônio. Em igrejas orientais católicas os padres podem se casar. Por que não na Igreja Latina?".
SACERDÓCIO FEMININO
Dom Clemente Isnard: "O que dizer das palavras de São Paulo na Epístola aos Gálatas: "quem foi em Cristo, revestiu-se de Cristo. Não é um judeu nem grego; não é servo nem livre; não é macho nem fêmea. Todos vós sois um em Cristo" (3,27s). São Paulo nessa época prega a igualdade.


Fonte: Adital