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27 de novembro de 2008

Maquiavel a lógica da força





No esforço de entender as lutas pelo poder na Itália do século XVI, "Maquiavel" transformou a teoria política em uma categoria autônoma, desvinculada da religião e da moral cristã. Inaugurou, assim, uma forma de pensar que, ainda hoje, permite-nos visualizar e compreender melhor as exigências decorrentes do surgimento do Estado moderno. Neste livro, Maria Lúcia de Arruda Aranha convida o leitor a uma interpretação isenta de idéias preconcebidas, de modo a superar o mito do "maquiavelismo" e a resgatar o pensamento republicano do ilustre florentino.

Fonte: Saraiva

24 de setembro de 2008

Maquiavel por Newton Bignotto - (Recomendo)





Maquiavel é um dos personagens mais instigantes da história da filosofia. Com fluência e objetividade, Newton Bignotto desmente mitos e esclarece as idéias figura-chave do pensamento político. A leitura fica ainda mais interessante, pois conta com material de apoio tal como cronologia, sugestões de leitura, glossário e seleção de textos.

Maquiavel dá um recado para os politicos: devemos considerar que o jogo politico se faz com duas armas principais: as leis e a força. A primeira é própria do homem, a segunda, das bestas; mas como a primeira, com muita frequência, não é suficiente, convém recorrer à segunda, dessa forma, o campo no qual a politica se desenrola não é nunca governado por apenas um gênero de ação, ou por um conjunto universal de valores. Quem quiser governar com sucesso terá de se equilibrar entre o "ser" e o "parecer"; terá de respeitar as leis e os contratos, mas terá de recorrer à força, quando os mecanismos de persuasão derivados da aplicação da lei nao se mostrarem suficientes.

11 de agosto de 2008

Os Dez Mandamentos de Maquiavel

As máximas de uma doutrina, de uma religião, de uma organização... são chamadas de mandamentos. Os mais famosos, pelo menos no ocidente, são os Dez Mandamentos, entregues por Deus a Moisés, no monte Sinai, escritos no Livro Êxodo, na Bíblia Sagrada. Na política, os mandamentos mais falados são os de Nicolò Maquiavel, oferecidos em “O Príncipe”.
Os mandamentos de Maquiavel fizeram tanto mal à humanidade que, quando se quer ofender alguém, basta chamar-lhe de maquiavel, maquiavélico... transformando um nome próprio em nome comum, com o significado de demoníaco, diabólico, maldoso, perverso, bárbaro, torturador, sanguinário, violento, sacana...
Muitos falam desses mandamentos, mas poucos os conhecem. A título de informação, vou transcrevê-los:
1º - Zelai apenas pelos vossos próprios interesses;
2º - Não honreis a mais ninguém além de vós mesmos;
3º - Fazei o mal, mas fingi fazer o bem;
4º - Cobiçai e procurai obter tudo o que puderdes;
5º - Sede miserável;
6º - Sede brutal;
7º - Lograi o próximo toda vez que puderdes;
8º - Matai os vossos inimigos, e, se necessário, os vossos amigos;
9º - Usai a força, em vez da bondade, ao tratardes com o próximo;
10º - Pensai exclusivamente na guerra.
Agora, compare esses dez mandamentos de Maquiavel com os de Moisés. Que diferenças! Com certeza, os de Maquiavel são explicitamente muito menos conhecidos, mas muitíssimo mais praticados, não só pelos “príncipes”, mas também por muitos “vassalos”, pelos governantes e por todos nós, pessoas do povo.
Prefiro o único mandamento de Jesus Cristo: “Amar a Deus, amar ao próximo, como se ama a si mesmo!”
Claro, é espantosa a capacidade de o homem manipular, manusear, usar e abusar das palavras. O guru Krishnamurti nos ensina que há muita violência nas palavras ásperas, num gesto de desprezo, na imposição da obediência motivada pelo medo.
Plagiando o tribuno romano Cícero, usando minhas palavras; “As palavras expressam a virtude, condenam os maldosos e malvados com aspereza, louvam os bons com magnificência e espetacularmente, repreendem as desordens, consolam as pessoas tristes e solitárias, testemunham a história de homens e de mulheres, iluminam a verdade, memorizam os fatos, ensinam o que é, para que, por que viver.”
As palavras, afinal, são dons de Deus, ou arte do Diabo? A resposta não é assim tão fácil prefiro o caminho mais fácil: as palavras são comunicação - a arte de colocar em comum uma idéia, uma ação, uma atividade - o que implica participação, cooperação, colaboração, solidariedade, comunhão, união, intercâmbio, diálogo, troca, vivência...
Os homens aprenderam cientificamente manipular as palavras como tanta eficácia e eficiência e competência que compramos muitas coisas de que não precisamos, votamos em muitos candidatos corruptos e que nos enganam, amamos as luzes e as cores da riqueza, dos bens, do dinheiro e do consumo. Se as palavras são criações demoníacas, os marqueteiros lhe são súditos, e sacerdotes, e pastores, e crentes, e fiéis.

Décio Bragança Silva é professor da Universidade de Uberaba


Colaboração: Rodney Eloy

Fonte: Jornal de Uberaba