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17 de outubro de 2008

O Método de Hume

Hume quis ser o Newton da psicologia. O subtítulo de seu Tratado da Natureza Humana é, nesse sentido, bastante esclarecedor: "Uma tentativa de introdução do método de raciocínio experimental nas ciências morais. A análise psicológica do entendimento operada por Hume parece, à primeira vista, muito próxima da de Locke. Ele parte do princípio de que todas as nossas "idéias" são ópias das nossas "impressões", isto é, dos dados empíricos: impressões de sensação, mas, também, impressões de reflexão (emoções e paixões). Não é este o ponto de vista tradicional do empirismo que vê na experiência a fonte de todo saber?

Na realidade, o método de Hume pode ser apresentado de maneira mais moderna. Sua filosofia coloca, sob o nome de "impressões", aquilo que Bergson mais tarde denominará os dados imediatos da consciência e que os fenomenologistas denominarão a intuição originária ou o vivido. Ao falar de fenomenologia contemporânea, Gaton Berger escrevia: "É preciso ir dos conceitos vazios, pelos quais uma idéia é apenas visada, à intuição direta e concreta da idéia, exatamente como Hume nos ensina a retornar das idéias para as impressões". Para Hume, ir da idéia à impressão consiste em apenas perguntar qual é o conteúdo da consciência que se oculta sob as palavras. Fala-se de substância, de princípios, de causas e efeitos etc. Que existe verdadeiramente no pensamento quando se discorre sobre isso? As quais impressões vividas correspondem todas essas palavras? Aquilo que Hume chama de impressão e que ele caracteriza pelos termos "vividness", "liveliness" é o pensamento atual, vivo, que se precisa redescobrir sob as palavras (no empirismo de Hume, diz Laporte, há que ver "antes o ódio ao verbalismo do que o preconceito do sensualismo").

28 de agosto de 2008

A Reforma no Continente Europeu

A Reforma Luterana
A bula Iuris Canonici (Friedberg), II. 1304.
Kidd, Documents of the Continental Reformation, No.1

A pratica abusiva da venda de indulgências revoltou a Lutero. O dominicano João Tetzel exercia este comércio para financiar a construção da basílica de S. Pedro, em Roma. A teoria sobre a qual se baseavam as indulgências está definida nesta bula que aprovou autoritativamente as doutrinas que tinham sido desenvolvidas pelos escolásticos.

O unigênito Filho de Deus se dignou descer do seio do Pai para o ventre de sua mãe, na qual e da qual, por uma união inefável, uniu a substância de nossa natureza mortal à sua divindade, numa unidade de pessoa, unindo o que era permanente com o que era transitório, assumindo-o a fim de poder resgatar o homem decaído e realizar por ele a satisfação ao Deus Pai. Pois, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu próprio Filho, gerando sob a lei, nascido de mulher, para redimir os que estavam debaixo da lei, a fim de poderem receber a adoção de filhos. Pois, tendo ele sido feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção (1Cor 1.30), não pelo sangue de touros ou cabritos, mas pelo seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no lugar santo, tendo obtido redenção eterna (Hb 9.12). Pois não foi com coisas corruptíveis, como ouro e prata, que ele nos resgatou, mas com o precioso sangue de si mesmo, cordeiro sem mancha ou defeito ( 1Pe 1.18 s), sangue precioso que sabemos ter ele derramado como vítima inocente sobre o altar da cruz; não simplesmente uma gota de sangue (embora, por sua união com o Verbo, isto teria sido o suficiente para a redenção de todo o gênero humano), mas um dilúvio abundante, tanto que da planta dos pés até o alto da cabeça não se achou nele lugar são (Is 1.6). E (a fim de que a misericórdia de tal efusão não se tornasse supérflua, inútil e vã) o Pai Santo constitui com ele um grande tesouro, de modo que os homens o tivessem em reservatório infinito, para que os que dele se aproveitam sejam feitos participantes da amizade de Deus. Ora, tal tesouro não está escondido numa toalha, nem enterrado num campo, mas confiou-o aos fiíes para ser administrado fielmente por meio do bem-aventurado.


Pedro, portador da chaves do céu, e de seus sucessores como vigários na terra, para causas convenientes e razoáveis, quer para remissão total quer para remissão parcial do castigo devido a pecados temporais, quer em geral quer em particular - como eles entenderem que seja útil diante de Deus - e para ser aplicado misericordiosamente àqueles que são verdadeiros penitentes e confessantes. Sabemos que essa riqueza do tesouro recebeu um incremento dos méritos da bendita mãe de Deus e de todos os eleitos, do primeiro homem até o último; e não se deve temer que esse tesouro diminua ou seja afetado de qualquer modo, tanto por causa dos méritos infinitos de Cristo (como já ficou dito), como porque mais e mais homens são atraídos à justiça como resultado de sua aplicação e assim sempre mais aumenta o total dos méritos...


Fonte: BETTENSON, H. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 2001.