5 de junho de 2009

In omni fortuna tuis adhaere

Todos foram pegos esta semana por um acontecimento trágico, com a queda do avião da Air France.
Sempre que ocorre acidentes deste porte vem atona alguns questionamentos de ordem religiosa-metafísica.
Será que Deus permitiu isso? Alguns não entraram no avião por conta de ter perdido o voo por vontade de Deus? Os que não embarcaram, não tinha ainda chegado a hora deles? E os que embacaram já estavam pré-determinados em seus destinos?
Perguntas como estas são inevitáveis.
O problema são as respostas. Tem muita gente neste momento que vem com previsões ou soluções extremamente ridículas.
Deus é mal? Ou melhor, Deus é o autor do mal? Deus permite que aconteça o mal?
Bem, certo que para cada pergunta, necessitaríamos de uma tese. Vou me ater para alguns elementos pertinentes.
Primeiro. Deus é todo bondoso e todo amor.
Não tem cabimento ele querer o nosso mal e muito menos permitir que ele aconteça conosco.
Aquele casal que estava viajando para a lua de mel e morreu, não foi por permissão de Deus. Também aquele outro casal que perdeu o voo, não sofreu um livramento de Deus.
São situações normais. A vida segue uma dinâmica e todos nós participamos desta dinamis neste imenso cosmo.
Defender que Deus permite que aconteça as coisas conosco é tirar da condição humana aquilo que mais a caracteriza: a liberdade.
Somos livres para optar pelo bem e pelo mal. Somos livres para entrar num avião e não entrar.
DEUS NÃO TEM NADA COM ISSO!!
Cristo poderia no momento da sua agonia ter aceitado a tentação e não ter passado pela cruz.
No entanto, ele escolheu, e assim sofreu as consequências.
As tentações servem para balizar as nossas escolhas. Sem tentação não há escolhas, portanto, não exercemos a nossa liberdade.
Isso vale para tudo em nossa vida.
Portanto, se as pessoas que morreram no avião já estavam predestinadas para isso, não tem nada de cristão.
Somos livres!
Portanto, os que escamparam da tragédia foi por pura escolha (decisão de não viajar mais) ou pelas contigências que todos nós estamos submetidos (atrasos, doenças, etc).
Marcos Martins César - teólogo

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