quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dia Mundial da Filosofia

Em 2002 a Unesco, numa bela manifestação de reconhecimento, instituiu o “Dia Mundial da Filosofia”. Foi decretado, então, que na terceira quinta-feira do mês de novembro, em cada ano, comemorar-se-ia esse dia. Para nós, aqui no Brasil, nesse ano de 2009 o Dia Mundial da Filosofia é lembrado às vésperas do Dia da Consciência Negra. Aí estão, creio, dois grandes temas para se pensar e, sobretudo, agir. Por dever de ofício, reporto-me, nestas linhas, apenas ao Dia Mundial da Filosofia.

A sociedade moderna, salvo alguns redutos muito específicos – as academias – marginalizou a Filosofia e o filosofar. As situações do cotidiano, da vida, os problemas, a educação, a economia, a política... não têm recorrido à Filosofia para seu diagnóstico. O que se percebe, pelo contrário, é uma incessante luta para desqualificá-la. A sociedade pragmática, consumista e tecnocrata criou a escola tecnicista e autoritária que baniu a Filosofia dos currículos, expurgando-a das escolas. A ordem, hoje, é produzir uma massa passiva, homens sem consciência, mão de obra dócil à implantação e solidificação de um modo de produção mais preocupado com o capital do que com o próprio ser humano. Assim, o interesse em promover o gosto pela filosofia é praticamente nulo. Para reverter este quadro é necessário mais do que simplesmente rever os juízos sobre os quais a consciência é postulada, é necessário rever as relações de poder e, mais do que isso, bem preparar os acadêmicos dos cursos universitários. No caso específico da Filosofia, acredito que ela tem uma contribuição significativa neste processo, pois faz-se presente em praticamente todos os cursos de licenciatura das universidades.

Por outro lado, deve-se ter presente que a Filosofia é um conjunto de conhecimentos que tem por função primeira repensar, discutir e analisar a arte, a política, a religião, as ciências... Ela deve compreender no conceito seu tempo e a sociedade em que vive. A filosofia se constitui no movimento que se recusa a aceitar a realidade imediata para transformá-la numa realidade pensada, compreendida no conceito. Contudo, definir a tarefa da Filosofia simplesmente como “pensar o seu tempo” pode induzir ao equívoco de pôr a etiqueta famosa da filosofia sobre qualquer reflexão acerca de objetos e fenômenos da época. Não podemos, como bem alertou o jovem Marx em 1842, transformar a filosofia em “reportagem jornalística”. Mas para que isso não ocorra devemos oferecer as condições para que alunos e professores investiguem de fato, obedecendo o método próprio da Filosofia. E para isso, é mister incentivá-los à pesquisa e ao ensino, conforme suas peculiaridades.

O que importa, entretanto, é que independente do modo de se compreender a Filosofia, a cada instante somos solicitados e desafiados por novos problemas e situações. A Filosofia visa a descobrir, nestes problemas e situações, uma finalidade: a realização humana pessoal e social no tempo. Esta deve ser a busca concreta do filósofo. Ao mesmo tempo, cabe-lhe a tarefa da denúncia dos entraves ideológicos, políticos e culturais que desviam as pessoas do movimento da justiça, da liberdade e da sociabilidade humanas. O modo de fazer Filosofia nunca pode se dar por completo, nunca pode dogmatizar-se, isso porque ele é histórico e deve acompanhar o movimento e a emergência de novas situações culturais e históricas. Esta forma de filosofar não é trabalho para um mestre solitário, mas exige a participação de muitos estudiosos, atentos ao caminhar das ciências e da experiência sociocultural da comunidade. É por isso que a pesquisa e a biblioteca se constituem em um momento privilegiado do filosofar.

Que esse 19 de novembro, Dia Internacional da Filosofia, possa ser entendido além de um dia de júbilo e festas, como um dia em que a humanidade de fato se pergunte sobre o “ser humano” da própria humanidade.

Colaborador:Rodney Eloy

Fonte:gazetadosul

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Política - Aristóteles

Para Aristóteles a Política é a ciência mais suprema, a qual as outras ciências estão subordinadas e da qual todas as demais se servem numa cidade.

A tarefa da Política é investigar qual a melhor forma de governo e instituições capazes de garantir a felicidade coletiva. Segundo Aristóteles, a pouca experiência da vida torna o estudo da Política supérfluo para os jovens, por regras imprudentes, que só seguem suas paixões. Embora não tenha proposto um modelo de Estado como seu mestre Platão, Aristóteles foi o primeiro grande sistematizador das coisas públicas. Diferentemente de Platão, Aristóteles faz uma filosofia prática e não ideal e de especulação como seu mestre.

O Estado, para Aristóteles, constitui a expressão mais feliz da comunidade em seu vínculo com a natureza. Segundo Aristóteles, assim como é impossível conceber a mão sem o corpo, é impossível conceber o indivíduo sem o Estado.

O homem é um animal social e político por natureza. E, se o homem é um animal político, significa que tem necessidade natural de conviver em sociedade, de promover o bem comum e a felicidade. A polis grega encarnada na figura do Estado é uma necessidade humana. O homem que não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta. Para Aristóteles, toda cidade é uma forma de associação e toda associação se estabelece tendo como finalidade algum bem. A comunidade política forma-se de forma natural pela própria tendência que as pessoas têm de se agruparem. E ninguém pode ter garantido seu próprio bem sem a família e sem alguma forma de governo. Para Aristóteles os indivíduos não se associam somente para viver, mas para viver bem. Dos agrupamentos das famílias forma-se as aldeias, do agrupamento das aldeias forma a cidade, cuja finalidade é a virtude dos seus cidadãos para o bem comum.

A cidade aristotélica deve ser composta por diversas classes, mas quem entrará na categoria de cidadãos livres que podem ser virtuosos são somente três classes superiores: os guerreiros, os magistrados e os sacerdotes. Aristóteles aceita a escravidão e considera a mesma desejável para os que são escravos por natureza. Estes são os incapazes de governar a si mesmo, e, portanto, devem serem governados. Segundo Aristóteles, um cidadão é alguém politicamente ativo e participante da coisa pública. Segundo Aristóteles, sem um mínimo de ócio não se pode ser cidadão.Assim, o escravo ou um artesão não se encontra suficientemente livre e com tempo para exercer a cidadania e alcançar a virtude, a qual é incompatível com uma vida mecânica.

E os escravos devem trabalhar para o sustento dos cidadãos livres e virtuosos. Aristóteles contesta o comunismo de bens, mulheres e crianças proposto por Platão. Segundo ele, quanto mais comum for uma coisa menos se cuida dela.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

“A condição humana”, Hannah Arendt

“A condição humana”, Hannah Arendt alerta: condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. A condição humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo para sobreviver. São condições que tendem a suprir a existência do homem. As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o homem é parte. Nesse sentido todos os homens são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de outros tornam-se condicionados pelo próprio movimento de condicionar. Sendo assim, somos condicionados por duas maneiras:
  1. Pelos nossos próprios atos, aquilo que pensamos, nossos sentimentos, em suma os aspectos internos do condicionamento.
  2. Pelo contexto histórico que vivemos, a cultura, os amigos, a família; são os elementos externos do condicionamento.

Hannah Arendt organiza, sistematiza, a condição humana em três aspectos:

  • Labor
  • Trabalho
  • Ação

O “labor” é processo biológico necessário para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana. O “trabalho” é atividade de transformar coisas naturais em coisas artificias, por exemplo, retiramos madeira da árvore para construir casas, camas, armários, objetos em geral. É pertinente dizer,- ainda que sedo-, para a autora, o trabalho não é intrínseco, constitutivo, da espécie humana, em outras palavras, o trabalho não é a essência do homem. O trabalho é uma atividade que o homem impôs à sua própria espécie, ou seja, é o resultado de um processo cultural. O trabalho não é ontológico como imaginado por Marx. Por último a “ação”. A ação é a necessidade do homem em viver entre seus semelhantes, sua natureza é eminentemente social. O homem quando nasce precisa de cuidados, precisa aprender e apreender, para sobreviver. Qualquer criança recém nascida abandonada no mato morrerá em questão de horas. Por isso dizemos que assim como outros animais o homem é um animal doméstico, porque precisa aprender e apreender para sobreviver. A mesma coisa não acontece com aqueles animais que ao nascer já conseguem sobreviver por conta própria, sem ajuda. A qualidade da ação supõe seu caráter social ou como escreve Hannah, sua pluralidade.

Tanto ação, labor e trabalho estão relacionados com o conceito de “Vita Activa”. Para os antigos, a “Vita Activa” é ocupação, inquietude, desassossego. O homem, no sentido dado pelos gregos antigos, só é capaz de tornar-se homem quando se distancia da “vida activa” e se aproxima da vida reflexiva, contemplativa. É justamente nessa visão de mundo grega que os escravos não são considerados homens. O escravo ao ocupar a maior parte de seu tempo em tarefas que visam somente à sobrevivência de si e de outros, é destituído do conceito grego de homem, mas por outro lado ele não deixa de ser humano. Portanto, dentro dessa lógica só é homem aquele que tem tempo para pensar, refletir, contemplar. Nietzsche afirma em seu “Humano, desmasiado humano”que, aquele que não reserva, pelo menos, ¾ do dia para si é um escravo. A base disso encontramos em Sócrates: se é apenas para comer, dormir, fazer sexo, que o homem existe, então, ele não é homem, é um animal. Pois assim era visto o escravo: um animal. Um animal necessário para à formação de “homens”. É muito importante salientar que a escravidão da Grécia antiga é bem diferente da escravidão dos tempos modernos. Pois, na era moderna a escravidão é um meio de baratear a mão-de-obra, e assim, conseguir maior lucro. Na antiguidade a escravidão é um meio de permitir que alguns, por exemplos, os filósofos, tivessem o controle do corpo, das necessidades biológicas; a temperança. Para os gregos, a escravidão, do ponto de vista de quem se beneficia dela, - os próprios filósofos da época - salva o homem de sua própria animalidade, e não lhe prende às tarefas pragmáticas. A dignidade humana só é conquistada através da vida contemplativa, reflexiva: uma vida sem compromisso com fins pragmáticos.

A religião cristã toma emprestado a concepção de mundo grega, e vulgariza a dignidade humana. Agora qualquer indivíduo pode, e deve viver, uma vida contemplativa. Enquanto na Grécia antiga a vida contemplativa era destinada aos filósofos, no cristianismo ela é destinada a todos. Essa é única forma que o cristianismo encontra para convencer os homens a rezar.
Hannah Arendt identifica três forma dicotômicas de trabalho:

  • improdutivo e produtivo
  • qualificado e não qualificado
  • intelectual e manual.

Como a intenção da autora é mostrar a fraqueza do pensamento de Karl Marx, ela diz que o conceito de trabalho usado por Marx, é um conceito comum de sua época: trabalho é trabalho produtivo. Segundo a autora esse conceito de trabalho produtivo, isto é, trabalho que produz objetos, matéria; eclodiu das mãos dos fisiocratas. A escolha de Marx pelo uso do termo trabalho como trabalho que produz, que gera, que cria, estava em moda na época.

Com o avanço do processo de industrialização haveria de designar algum nome para todo
aquele trabalho que não estava ligado ao trabalho industrial, daí nasceu o trabalho intelectual em contraposição ao trabalho manual. Tanto um como outro, faz uso das mãos, quando colocados em prática. O intelectual precisa das mãos para escrever seu pensamento. Nesse sentido o trabalho intelectual também é trabalho manual. É dessa forma que o trabalho intelectual é integrado dentro do conceito “trabalho” da revolução industrial. A ideologia que atravessa os tempos modernos é a seguinte: Qualquer coisa que se faça tem que ser necessariamente produtivo, tudo deve ser transformado em mercadoria, ou seja, o valor de troca tem a última palavra.

Qual é o caráter objetivo implícito do conceito “força de trabalho” em Marx? Compreende que todos tem a mesma força de trabalho, até mesmo aqueles que são fisicamente mais fracos. Assim, Marx consegue formar o conceito de “valor de troca”, tempo de trabalho necessário dispendido para produzir um objeto. Necessário para quem? Para todos. Se o tempo médio da produção de um sapato é 6 horas, todos os trabalhadores devem se adequar. Marx não explica como ele consegue calcular o tempo médio abstrato, o tempo social? Portanto, ele, pressupõe que todos devem ter a mesma força de trabalho, e desconsidera as diferenças subjetivas. É obvio que uma criança não tem a mesma força de trabalho de um adulto, nem o deficiente físico terá a mesma força, sem falar nas diferenças mais minuciosas. Em suma, Marx pensava que todos devem ter a capacidade de produzir um mesmo objeto num tanto “x” de horas. E é isso que será exigido pelos proprietários dos meios de produção.

A força de trabalho é aquilo que o homem possui por natureza, só cessa com a morte. Diferente do produto, a força de trabalho não acaba quando o produto termina de ser produzido. Portanto, a força de trabalho é aquilo que Hannah Arendt entende por “labor”. “O labor não deixa atrás de si vestígio permanente”. ( 101, Arendt)
Arendt dá alguns exemplos que nos pode ajudar entender o conceito de labor. Qual é a diferença entre um pão e uma mesa? A mesa pode durar anos e o pão dura, como muito, dois dias. O trabalho é força gasta para produzir a mesa. O labor é a força dispendida para produzir o pão. Mesa: objeto material produzido para o uso cotidiano e ocupa lugar no espaço. Pão: elemento material produzido para à sobrevivência de seres vivos e não ocupa lugar no espaço, visto que durante a digestão o pão é transformado em energia do corpo.

“O que os bens de consumo são para a vida humana, os objetos de uso são para o mundo do homem”.(Arendt) O bem de consumo é o pão e o objeto de uso é a mesa. O primeiro permite a vida; o segundo é necessário aos relacionamentos humanos. Em suma, o homem se torna dependente daquilo que que produz. E para a autora, torna-se dependente é torna-se condicionado. Daí encontramos a justificativa do nome do livro: “A condição humana”. Quais são as condições que o homem se impõe e se submete para permanecer em sociedade, para viver em coletividade? Se fossemos analisar essa questão mais pormenorizadamente teriamos necessariamente de falar sobre auto-repressão do prazer, aquilo que Freud chama de controle do superego sobre o id. Mas não podemos esquecer que o nosso fim neste trabalho é perscrutar alguns aspectos e vertentes que o trabalho tem na obra da escritora alemã.

Sendo assim, como entender uma realidade que tem como pedra de toque o que chamamos trabalho? Para que o mundo dê curso à vida é preciso transformar o abstrato em matéria, o impalpável no papável. Isso é uma necessidade humana. Sociedades ocidentais e não-ocidentais( tribais) realizam esse processo de maneiras diferentes. Na primeira, existe o valor de troca, na segunda, não há valor de troca. A palavra trabalho é um termo, conceito, ocidental que é constitutivo do capitalismo, das sociedades ocidentalizadas. E este conceito não pode ser aplicado nas sociedades não ocidentalizadas, onde o capitalismo não existe. Portanto, não faz sentido dizer que os índios trabalham. Eles não trabalham, apenas realizam atividades.

Estamos num ponto delicado do nosso trabalho. Um ponto que é ignorado por grande parte de estudiosos das ciências. A afirmação: os índios não trabalham, não quer dizer que eles são preguiçosos, quer dizer que eles não produzem valor de troca, portanto, não realizam trabalho. Quando Marx pensa que o trabalho pode ser constitutivo do homem, ele não está usando como pressuposto o conceito valor de troca. E, é importante entender isso, porque esse foi o lugar onde ele foi mais mal interpretado. Peço que esqueçam do conceito valor de troca por um momento. Vamos imaginar aquela velha estória do homem que se encontra isolado, sozinho numa ilha. Ele quer encontrar alguma forma para sair da ilha. E para isso ele deverá construir um barco, irá trabalhar. Antes de construir o barco o homem tem a idéia do que seja um barco, isto é, ele já viu um barco pelo contato direto. Ao ver um barco pela primeira vez, ele forma o conceito de barco. Então, imagina um barco, cria a imagem na mente, para depois construí-lo. A construção do barco dependente necessariamente do conceito barco. Esse exercício de imaginar e depois construir é próprio do ser humano, e, é nesse sentido que Marx diz que o homem é o único animal que trabalha. O homem imagina e depois faz. Se acrescentamos o valor de troca, temos o trabalho capitalista. O trabalhador da fábrica sabe de antemão qual objeto irá produzir, sabe para que será usado. Todo objeto antes de ser construído tem sua finalidade, sua utilidade.

Nesse aspecto entre o meio(recurso usado para obter um fim) e o fim, temos a distinção entre objeto e instrumento. O instrumento é usado para produzir o objeto, por exemplo, o alicate é usado na produção de automóveis. Uma vez acabada a produção do automóvel, este serve como meio de transporte. A princípio temos o automóvel como fim, e num segundo momento temos o automóvel como meio. Ele é um fim em relação ao alicate, e depois, é um meio em relação ao homem. Se em relação ao alicate temos um objeto, em relação ao homem temos um instrumento. É nesse sentido que Arendt fala que existe um processo circular entre meio e fim, instrumento e objeto; em que todo fim se torna meio e todo meio se torna fim. Assim nos explica Hannah Arendt: “Num mundo estritamente utilitário, todos os fins tendem a ser de curta duração e a transformar-se em meios para outros fins.”(Arendt, 167)

Nenhum instrumento é produzido a bel-prazer, é produzido para atender ao tipo de objeto desejado. O que realmente importa ao empregador é o objeto final acabado, o instrumento é apenas o meio. Por isso dizemos que os meios de produção são instrumentos usados para gerar mais-valia. Usados por quem? Pelo trabalhador assalariado. Quando o assalariado não percebe que o uso que ele faz do instrumento, -seu trabalho-, gera mais- valia, dizemos que ele se encontra num estado de alienação.

Vamos voltar um pouco na distinção entre trabalho e labor. Já foi dito que o labor é trabalho gasto para produção de alimentos. Portanto, é o que mantem a saúde do indivíduo. Só assim ele poderá trabalhar. Nesse aspecto o labor é pré-requisito do trabalho. O que quer dizer isso? Não é possível, (dentro dos termos de Arendt), existir trabalho sem labor, ainda que seja possível o inverso. Ao passo que o labor produz a matéria para incorporá-la ao organismo, o trabalho a produz para que esta seja usada na produção de outros objetos e na materialização do abstrato( exemplo, colocar no papel uma idéia).
Uma outra distinção entre trabalho e labor consiste em que, enquanto o labor exige o consumo rápido ou imediato, o trabalho não. A lógica do trabalho é a durabilidade dos objetos. Sua durabilidade permite a acumulação e estoque dos objetos.

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É por meio da troca de produtos,-troca intermediada pelo valor de troca-, que se dá as relações humanas, visto que, durante a produção os homens encontram-se isolados uns dos outros. “Sem isolamento nenhum trabalho pode ser produzido”(Arendt, 174). “Somente quando pára de trabalhar e quando o produto está acabado é que o trabalhador pode sair do isolamento”(Arendt, 174). Nesse sentido de trabalho, Arendt imaginara um trabalho industrial. Se incluímos os serviços, nem uma das afirmações anteriores se sustentam. Tendo em vista que muitos serviços são realizados no contato direto entre os homens.

* Sobre o autor

Thiago Rodrigues Braga é estudante de Ciências humanas da Universidade Federal de Goiás. Seu maior interese atravessa a antropologia, filosofia e literatura. Atualmente se preocupa em entender a ideologia da literatura ocidental. Por que toda a literatura ocidental é centrada nos autores europeus e norte-americanos enquanto os latino-americanos e africanos permanecem marginalizados? Qual a razão que explica tal negligência?

Grupo de Estudos e Arquivo Hannah Arendt Brasil Clique aqui

Texto em Pdf voltado para educação clique aqui

Vídeo feito para o trabalho sobre Hannah Arendt pela turma de Serviço Social da Faculdade Anhanguera de Taubaté, 2009. clique

Dicionario De Filosofia - Nicola Abbagnano


Neste rico repertório da linguagem filosófica, acessível a todos e condensado em 2.500 verbetes todos os termos filosóficos estão registrados, explicados e documentados com citações dos textos fundamentais da tradição filosófica ocidental, dos pré-socráticos aos nossos dias. Além disso, as escolas filosóficas, as correntes de pensamento, as categorias e os conceitos são analisados em seu significado original e em seus sucessivos desenvolvimentos.

ISBN: 8533613229
Número de páginas: 1014
Editora: MARTINS FONTES EDITORA

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Escolha a sua profissão



Fonte:Guiadeprofissões

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Qual é a distinção entre a física e a metafísica?

“Há muitas décadas, por altura de um jantar, pediram ao físico Robert W. Wood que respondesse ao brinde «À física e à metafísica» (…) Wood respondeu o seguinte:

O físico tem uma ideia. Quanto mais pensa nela, mais sentido ela parece fazer. Consulta a literatura científica. Quanto mais lê mais promissora a ideia se torna. Assim preparado, vai para o laboratório e concebe uma experiência para a pôr à prova. A experiência é trabalhosa. São verificadas muitas possibilidades. A exactidão das medidas é melhorada e as barras de erro reduzidas. Ele só se ocupa do que a experiência ensina. No fim de todo este trabalho, através de uma experimentação cuidadosa, descobre que a ideia não é válida. E, assim, o físico põe-na de lado, liberta o seu espírito do amontoado de erros e passa a outra coisa qualquer.

A diferença entre a física e a metafísica, concluiu Wood erguendo bem alto o copo, não reside no facto dos praticantes de uma serem mais inteligentes do que os praticantes de outra. A diferença é que o metafísico não tem laboratório.”

Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, Lisboa, 1997, Edições Gradiva.

«O estudo dos aspectos conceptuais mais gerais da estrutura da realidade. Por exemplo: Serão todas as verdades relativas, ou haverá verdades absolutas? E o que é a verdade? (…) A designação de "metafísica", contudo, não foi introduzida por Aristóteles, que usava a expressão "filosofia primeira", muito corrente ainda no séc. XVII, mas hoje pouco usada — o que é uma pena, pois não permite o trocadilho informativo que consiste em dizer que a filosofia primeira estuda as questões últimas.

A metafísica é uma das disciplinas centrais e mais gerais da filosofia; muitas outras disciplinas abordam problemas metafísicos particulares. Por exemplo: a filosofia da acção estuda, entre outras coisas, o problema metafísico de saber o que é e como se individua uma acção (isto é, como se distinguem as acções umas das outras); a filosofia da ciência estuda, entre outras coisas, o problema ontológico de saber se as entidades inobserváveis postuladas pelas ciências (como os quarks) têm existência real e independente de nós, ou se são meras construções humanas.

Com o desenvolvimento da ciência moderna, a partir do séc. XVII, a metafísica começou a sofrer ataques por não produzir resultados à semelhança da ciência; afinal, era a ciência empírica, como a física, que produzia conhecimento seguro sobre a natureza última das coisas, e não a metafísica. Esses ataques começam com Kant. Posteriormente, algumas escolas de filosofia, como o positivismo lógico, encaravam a metafísica como coisa mítica do passado. Contudo, na filosofia contemporânea, a força dos problemas metafísicos voltou a impor-se, e o seu estudo floresceu uma vez mais.»

Fonte:DuvidaMetódica

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A educação pelo sangue e pela humilhação

A Uniban decidiu: expulsou a menina agredida pela turba de mais de 700 alunos. No momento em que escrevo talvez isso que digo ainda não esteja nos jornais que você, leitor, consulta. Mas estará. O fato agora ultrapassa, em parte, a minha primeira análise, feita em vídeo [aqui], que ressaltou aspectos do comportamento fascista do ambiente da Uniban. O ocorrido, agora, reclama por uma intervenção da voz oficial do Ministério da Educação.

Volto ao primeiro campo, o da análise psicossocial para, em seguida, comentar o novo ingrediente.

Contardo Caligaris, na Folha de S. Paulo, tenta explicar o episódio da Uniban por meio da sua noção de “machismo”. Calligaris vê na manifestação agressiva dos estudantes a tentativa de punir o “desejo da mulher”. A regra da turba seria “a mulher não pode desejar”. Como a moça apareceu na aula com “uniforme de balada” e, portanto, ao menos visualmente, mostrou estar no campo do desejo e do ser desejada, foi punida. Esse tipo de análise, a meu ver, pode dar margem antes para o moralismo que para a psicologia social. Sei que não é essa a intenção de Calligaris, mas, não raro, os puritanos de plantão e os pouco experientes com a vida podem entender que aquele homem que, privadamente, chama a mulher de puta, durante o ato sexual – com o consentimento dela – tem o mesmo perfil de um agressor, e isto está longe da verdade. Prefiro ver o episódio como no campo de algo maior e mais complexo que aquilo que podemos entender por “machismo”.

Como disse em vídeo, vejo aquela manifestação como a incapacidade de adaptação dos jovens a ambientes novos que exigem deles uma relação sociável com o novo, com o diferente e, é claro, no caso, com o provocante. Aqueles jovens agiriam de modo semelhante diante de qualquer outro comportamento que eles identificassem como “anômalo”. Dado o primeiro passo, por iniciativa de uma liderança – “o chefe” –, e qualquer outro elemento “anormal” seria o foco da atenção e da agressão. Fato semelhante ocorreu em outra faculdade, esses dias, contra uma moça que foi chamada de “CDF”. O que desencadeou a turba foram os livros dela terem caído, coisa que não acontecia com os outros alunos que, enfim, não levavam livros na tal faculdade de Direito (!)

Considero a atitude da turba da Uniban como um comportamento mais próximo do comportamento fascista [aqui] do que simplesmente daquilo que se pode notar como “machismo”.

Mas, até aí, estávamos no comentário do episódio da agressão. Agora, há um segundo episódio. A atitude da Uniban não foi a de investigar quem agrediu a moça. Muito menos foi a de oferecer proteção para ela voltar às aulas. Menos ainda pagar os serviços de apoio psicológico profissional que, é certo, ela tem direito. A atitude foi a de expulsar a moça da escola! O argumento, pasmem, é vergonhoso. Sinto asco ao tentar escrevê-lo, mas é este: a moça teria provocado os estudantes, pois percorreu um caminho “maior do que o necessário” para chegar ao local de sua aula. O advogado da Reitoria da Uniban, sem corar, disse que a aluna “sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar” (declaração para a Imprensa).

O caso, agora, extrapola o campo das análises em psicologia social. Sai até mesmo do âmbito da filosofia da educação, pelo qual eu também o abordei no vídeo, ao lembrar as facilidades com que a Uniban se coloca no mercado, acolhendo pessoas que não poderiam ser alunos universitários em lugar nenhum. O assunto, agora, é do âmbito da organização do ensino no Brasil. O que a Uniban fez fere elementos tomados como corriqueiros e aceitos em nosso ethos educacional.

Não adianta a Uniban evocar a “autonomia universitária”. Esta não pode passar por cima dos costumes do povo, do nosso ethos que, inclusive, se apresenta em forma de lei para a própria Uniban, para que ela possa ser considerada ou não uma instituição de ensino. A transformação da vítima em culpada, que o ato de expulsão sela, é uma completa inversão de tudo que somos e acreditamos. Mesmo os mais conservadores, os que pudessem criar qualquer senão à garota de mini-saia, ainda assim deveriam entender que a agressão aconteceu. Em uma instituição de ensino, a agressão não pode deixar de ser repreendida. Aliás, a agressão teria de ter sido interrompida pela direção da Uniban no momento em que ocorria. Isso só foi feito muito mais tarde, e nem foi por iniciativa mesmo dos responsáveis pela escola. Ora, se a Uniban, agora, inocenta os agressores e, com isso, dá aval para tais atos de selvageria, ela se transforma automaticamente em um clube fechado de instrução ao fascismo. Um clube de (de)formação pela violência, pelo sangue.

Até mesmo nas academias militares em que a preparação para a guerra estava associada a exercícios de humilhação, esta prática não é mais permitida. Em uma escola comum, então, qualquer ato de humilhação coletivo, em que um mais fraco é posto covardemente na parede, precisa ser condenado, reprimido, extirpado. A Universidade não é um lugar de instrução de adulto, ela é um lugar de educação de jovens. Ela ainda é um lugar de formação individual. E a formação profissional não está, pelas técnicas, acima de procedimentos comuns humanos, que esperamos que todos os alunos adquiram em conjunto com as técnicas, ao passar por uma escola superior. Dou um exemplo, abaixo, sobre como que técnica profissional e sentimentos morais não se dissociam.

Você é atropelada e aparece o socorro. Entra no hospital de maca, com a perna quebrada e sangrando. Como que você pode colocar sua perna, com o vestido puxado, para um médico formado em uma escola como a Uniban? Ora, você sabe que ao ver um par de coxas numa minissaia, este médico pode ser aquele que, em situações assim, começou a gritar “puta, puta, puta”. Pode não ser um daqueles 700, mas foi educado na Uniban, um lugar em que tal atitude é regra, é avalizada pela direção. Você está ali, na maca, o que passa pela sua cabeça? O que ele vai fazer com a sua perna? Vai cuidar ou vai agredir, mesmo que de uma forma não percebida conscientemente por ele próprio? Pense nesta outra situação: você entra em um consultório de dentista e na parede está o diploma da Uniban. Você senta na cadeira e o dentista olha para o seu decote. Em seguida, ele pega aqueles instrumentos pouco amigáveis para colocar na sua boca. Você sabe perfeitamente que ele está pensando “ah, mostrando as tetas heim sua puta? Vou punir você vagabunda”. E ele põe, então, os instrumentos na sua boca. E aí, você continua o tratamento?

Veja que na minha observação, não há moralismo. A frase que o tal dentista, nesta minha ficção, está pensando é “ah, mostrando as tetas heim sua puta? Vou punir você vagabunda”. Esta frase, do modo que eu a coloco, não está no registro de um comportamento que diria “eu namoro com essa mulher ousada, essa gostosa”. Não! Não estou falando do homem que observa a mulher e que gosta, e que a deseja, mas que sabe que se ela se apresentar com aquele decote para outros homens, ela não pode ser punida por isso. Estou falando do selvagem da Uniban que, vendo o diferente, quer eliminá-lo do local, porque o diferente mostra a ele a sua incapacidade (inclusive às vezes, sexual), a sua origem menor, sua pequenez no ambiente novo, no caso, o ambiente universitário para o qual ele não estava preparado.

O Ministro da Educação atual, Fernando Haddad, é jovem professor da Universidade de São Paulo. Conheci-o aqui em minha casa. Sei que ele leu os teóricos da Escola de Frankfurt e que pode muito bem entender esses meus argumentos. Além disso, mesmo que não fosse quem é, seria alguém que, por obrigação, teria de conhecer a legislação educacional. O que a Uniban fez não pode tem como ser permitido. O caso não é um mero caso de “disciplina interna”. Extrapolou isso. Temos de ouvir uma palavra do MEC de condenação firma à Uniban.

© Paulo Ghiraldelli Jr. , filósofo http://twitter.com/ghiraldelli

São Paulo, 07 de novembro de 2009

Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo e escritor. Doutor e mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor e mestre em filosofia da educação pela Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo (PUC-SP). Tirou seu “pós-doc” pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sua livre docência pela Unesp, onde também foi o professor titular concursado. Atualmente, Paulo Ghiraldelli Jr. dirige o Centro de Estudos em Filosofia Americana.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UNIBAN - a universidade do preconceito

Sofremos neste domingo um estupro daquilo que todos os filósofos desde os pré-socráticos até a Marilena Chauí pregam: a liberdade.

Não tem cabimento uma Universidade expulsar uma aluna por conta da roupa que ela estava usando. Onde fica a liberdade de livre acesso que todo cidadão tem? Vivemos numa sociedade democrática de direito ou em uma ditadura?

Não vou me alongar mais no assunto.

Quero apenas expressar a preocupação que estou sentindo com este fato. Agora, pode-se criar uma onda de caça às bruxas.

No entanto, nós ou mesmo os responsáveis pela expulsão, podem um dia sofrer esta humilhação na própria pele.

Já imaginaram o reitor andando com a sua esposa no calçadão de uma praia e a esposa dele, por estar vestida com roupas pequenas começar a ser insultada? O senhor reitor iria gostar?

A UNIBAN mostrou que está do lado do preconceito.

Pune a vítima e absolve os culpados.

Que educação de qualidade e responsabilidade social!!!!


Autor: Marcos Martins César, filósofo

Padre bom é padre morto

No dia 8 de outubro, dei-me ao luxo de ler algumas apreciações relacionadas com uma notícia difundida pelo provedor "Terra", sob o título: «Ex-padre é condenado a 10 anos por pedofilia em Minas Gerais». O artigo era acompanhado por uma centena de comentários. Comecei a ler alguns deles. Precisei parar logo, tamanha era a repulsão que demonstravam pela Igreja Católica. Cito apenas os primeiros: «Padre bom é padre morto!». «O lugar desses padres pedófilos é no inferno!». «Infelizmente, a Igreja Católica tem sido leniente ao tratar do problema da pedofilia. Não trata, esconde. Não adianta esperar que a solução venha do Vaticano».

Houve também quem julgou descobrir a solução do problema: «É por isso que os padres precisam casar. Todos têm carne fraca para o pecado. Não é porque é padre que pode achar que não peca. E, quando peca, faz essas coisas horríveis». Nem faltou o recado do filósofo ateu: «Toda experiência religiosa é prejudicial ao ser humano».

Além de trazer nome e sobrenome do sacerdote mineiro, a notícia descia a pormenores capazes de levar leitores menos avisados a pensar que o único lugar adequado para os padres e a Igreja Católica seria um presídio de segurança máxima...

Uma semana após, no dia 14, um site de Campo Grande trazia uma notícia bastante semelhante. Contudo, a apresentação do fato feita pelo jornalista era muito diferente: «Um pastor evangélico de 47 anos, que está sendo acusado de pedofilia, se afastou da função ontem à noite. A denominação religiosa não está sendo divulgada, para não denegrir a imagem da instituição. O nome do pastor, acusado de pedofilia, não foi divulgado porque as investigações ainda estão em curso».

A dúvida de quem toma conhecimento da forma como foram tornados públicos os fatos de Belo Horizonte e de Campo Grande é sobre a imparcialidade de certos órgãos de comunicação. A impressão que se tem é de dois pesos e duas medidas: para os padres, insultos e condenação; para os pastores, respeito e consideração. Mas, o acontecido se presta também para outra leitura: um jornalismo sadio e independente não faz acusações sem ter provas precisas e concretas. Não são as poucas as pessoas que foram condenadas pela imprensa e absolvidas pela justiça!

Penso de não me colocar acima do comum dos mortais ao afirmar que conheço bastante as limitações e fraquezas que envolvem a vida dos presbíteros, pois sou um deles há mais de 40 anos. Elas me fazem lembrar o comentário feito pelo autor da Carta aos Hebreus, ainda nos primeiros anos de existência da Igreja: «Escolhido entre os homens, o sacerdote é constituído para o bem dos homens nas coisas que se referem a Deus. Sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Desse modo, ele é capaz de ter compaixão por aqueles que ignoram e erram, porque também ele está cercado de fraqueza. Por causa disso, precisa oferecer sacrifícios, tanto pelos próprios pecados, como pelos pecados do povo» (Hb 5,1-3).

Apesar das quedas de alguns sacerdotes – quedas que são logo difundidas aos quatro cantos do mundo – , posso garantir que a quase totalidade dos padres que conheci em minha vida – que não é tão curta – luta para manter viva sua fidelidade à vocação. Como São Paulo, eles também, não poucas vezes, são pungidos por "um espinho na carne" (2Cor 12,7). Apesar disso, pela missão que assumiram, precisam consolar, mesmo quando passam pela desolação; prestar socorro, mesmo quando sentem falta de uma mão amiga; orientar, mesmo quando se sentem inseguros; amar, mesmo quando não são amados...

O que acontece é que o padre é um homem público, alguém em quem o povo cristão quer confiar e se espelhar. Mas, não sendo um extraterrestre ou um ser assexuado, está inclinado ao pecado como qualquer outra pessoa. Há padres pedófilos, assim como há também médicos, fazendeiros, juízes, militares, professores e até "honrados" pais de família, como provam os inúmeros processos em andamento no Pará. Mas será preciso ir até lá? Uma coisa é certa: o mesmo Jesus que disse: «É inevitável que aconteçam escândalos, mas ai de quem os provoca! Seria melhor que lhe encaixassem no pescoço uma pedra de moinho e o atirassem ao mar, antes de escandalizar a um pequeno!» (Lc 17,1-2), também acrescentou: «Por que reparas no cisco do olho do teu irmão, e não reparas na trave que tens no teu? Hipócrita: tira, primeiro, a trave do teu olho e, depois, poderás tirar o cisco do olho de teu irmão!» (Lc 6,41-42).

*Bispo de Dourados
domredovino@terra.com.br

Colaborador:Rodney Eloy

Fonte:JornaloProgresso

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