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7 de junho de 2008

Na morte termina para a pessoa humana, o tempo e sua dimensão cíclica

Estamos acostumados a ligar a dimensão temporal com as noções de transformação, de envelhecimento, de começo e fim, de passado imutável. Tudo isso é verdade, e à medida que a vida passa, há mesmo tantas e tantas situações que se fixaram, que nao mais podem ser mudadas e nas quais, como Jean Paul Sartre o formulou, o homem fica preso mesmo.
Apesar de tudo isso, porém, não podemos esquecer a outra dimensão do tempo que passa. É a dimensão cíclica, pela qual sempre há novo começo. A noite não fica definitiva e toda meia-noite é também o começo de novo dia.
Por causa da dimensão cíclica do tempo permanece acesa a nossa esperança, pois, enquanto a vida dura, haverá sempre novo amanhã. Isso significa que os nosso atos podem ser corrigidos. Significa que em muitos e muitos casos, pódemos recomeçar, podemos refazer amanhã aquilo que hoje fizemos mal, e por minha falha de ontem, posso desculpar-me no futuro.
Com a morte, porém, o homem sai da dimensão temporal, e com isso também de seus ciclos de fazer e refazer. Na morte, não há mais a possibilidade de refazer e também acabou a certeza que haverá repetições.
NA MORTE O HOMEM É AQUILO QUE FEZ DE SI MESMO. E NÃO HÁ MAIS NENHUMA POSSIBILIDADE DE REFAZER ALGO.
Na morte acabou também a possibilidade de corrigir ainda alguma de nossas obras. Elas ficam assim, como são, nada mais pode ser mudado, tudo se tornou definitivo.
NA MORTE O HOMEM SE TORNA DEFINITIVO. E TAMBÉM TUDO AQUILO QUE ELE FEZ SE TORNA DEFINITIVO.
Sendo este ser, com estas obras, acabadas e inacabadas, com estas qualidades e estes defeitos, o homem se encontra com Deus, não podendo mais mudar nada daquilo que fez, nem corrigir nenhuma das consequências daquilo que fez ou não fez.
Não mais haveqrá a possiblidade de atenuar as circunstâncias, nem de fugir. Não mais haverá o fluxo do tempo, rumo a um futuro ainda aberto.
O que haverá é presença total.
Presença da própria pessoa, e presença também de tudo aquilo que esta pessoa fez ou omitiu durante toda a vida.
Pela primeira vez, o homem conhecerá não só a si mesmo de maneira total, mas também todas as dimensões históricas, sociais e estruturais de sua vida. E todas essas dimensões também se tornarão definitivas.
Para pensar:
NA MORTE SE TORNAM DEFINITIVOS
O HOMEM NA SUA DIMENSÃO PESSOAL
O HOMEM NA SUA DIMENSÃO SOCIOESTRUTURAL
O HOMEM NA SUA DIMENSÃO HISTÓRICA

Fonte: Blank, R J. Escatologia da pessoa. São Paulo: Paulus, 2000.

5 de junho de 2008

A atitude do indivíduo diante da morte

Das colunas de revista Manchete e dos outdoors que vemos nas ruas, rostos jovens riem e sorriem para nós. O programan de televisão "Fantástico" quase não apresenta reportagens sobre asilos de velhos. O Brasil é nação jovem! (falsa noção). O que nossos contemporâneos sabem sobre a morte reduz-se a um conhecimento geral que, aliás, é muitas vezes reprimido. Não se fala da morte.
É mais fácil falar para o nosso íntimo: "Não existe morte"!
O que lemos sobre pessoas acidentadas e vítimas fatais só se refere aos outros, nunca a nós mesmos. A morte está confinada ao outro lado dos muros dos hospitais e das UTIs, ou, então, presta-se ao sensacionalismo para os que assistem às notícias de telejornais ou para os que lêem os jornais. Esta situação básica não foi alterada sequer em decorrência do interesse despertado pelas chamadas "reportagens sobre a vida após a morte".
O famoso livro Vida depois da vida, de Raymund A. Moody, alcançou recorde de vendas no mundo inteiro, vindo a ser o precursor de uma infinitude de reportagens e publicações recentes. Mas, apesar de tudo isso, no dia-a-dia do homem comum, o tabu da morte ainda nçao foi quebrado. De nada adiantou à Igreja pôr os seus fiéis, todos os anos, em confronto com as questões sbore a morte e a ressurreição, de acordo com o seu ciclo litúrgico. As pessoas nçao gostam de falar da morte, mesmo em caso de falecimento de familiares mais ou menos chegados. E, apesar disso, encontramos na morte o grande mistério do ser humano, talvez até um dos maiores. Se questionarmos o que vem a ser o homem, então a resposta a essa pergunta dependerá sempre, de algum modo, da meneira como nos posicionamos ante a morte de determinado homem. Não ante a morte do homem como indivíduo, mas, sim, ante a própria morte como fato.
Fugir da reflexão sobre a morte significa fugir da reflexão sobre o homem
Assim, pois, a rejeição da reflexão sobre a norte se revela como sendo a rejeição da reflexão sobre o ser humano.
O ser humano como toda a sua grandeza e a sua fraqueza, com a sua procura do infinito e a lembrança constante das limitações que lhe são impostas pela sua "condição humana". Talvez seja isso que nos impede de tratarmos, frente a frente, da questão da morte.
É que a indignação sobre a morte está forçosamente associada à questão do fim e também à questão se após o fim haverá ainda alguma outra coisa, ou não.
Se a morte significa o fim propriamente dito, então é certo dedicar-se à vida e esquecer a morte: assim, não há morte porque eu a reprimo, e com razão. Assim, a morte não existe porque é apagada do meu consiciente parar que eu possa viver. O que conta, então, é a vida e nada mais. E à medida que a vida se mostra sem sentido, apesar de toda insinuação da propaganda, a morte também se torna fato absurdo que, de repente, surpreende o ser humano. Ou, como formulou Fritx Leist: "A falta de sentido da vida e o absurdo da morte fazem um pacto".

Para pensar:
1) Será mesmo que a morte que temos medo é fisica ou psicológica?
2)Não pensamos na morte e nas últimas coisas que nos acontecem?


Fonte: BLANK, R. J. Escatologia da pessoa. São Paulo: Paulus, 2000.


1 de junho de 2008

O Inferno, existe?

As raízes da noção de inferno encontram-se, sem dúvida, na idéia judaica de morada dos mortos, o Xeol.Os padres da Igreja descreveram o fogo do inferno de maneira bem naturalística Agostinho e Gregório seguiram o mesmo caminho: o fogo seria fogo real com que Deus puniria os pecadores Evidentemente esse fogo foi declarado como de natureza eterna Em oposiçãoa essas concepções, Clemente de Alexandria duvida da eternidade do inferno. Orígenes define as torturas aí sofridas como sendfo provocadas pela própria consciência do pecador. Com base em 1Cor 15,25-26, ele chegou a postular de maneira hipotética a salvação final de todos, a assim chamada apokatástasis. Nessa hipótese seguem-no Gregório de Nissa, Teodoro de Mopsuéstia e, durante certo tempo, Jerônimo.
Os assim chamados misericordes declaram que Cristo salvará também os que morreram em estado de pecado mortal, visto que eles também foram batizados. A influência dos misericordes permaneceu até a Idade Média. No ano 543, encontramos a reação contra essas concepções, formulada por ocasião da reunião da província eclesiástica de Constantinopla e ratificada pelo papa Virgilio. Aí lemos: "Se alguém afirmar ou crer que o sofrimento e o castigo dos demônios e dos ímpios estão limitados no tempo e que algum dia terão fim e que haverá também reconciliação universal com os demônios e com os ímpios, que este seja condenado".
No assim chamado Credo de Atanásio formula-se que os maus serão julgados para toda a eternidade. Todos que praticaram o mal cairão no fogo eterno.
O catecismo Romano editado depois do Concílio de Trento e divulgado no ano de 1566 menciona diferentes tipos de torturas infernais e acentua principalmente a tortura do fogo. E ainda no Catecismo Católico, editado em Roma no ano de 1930, podemos ler: "É teologicamente certo, apesar de nao ser de fide (de fé), isto é, apesar de nao ser dogma, que o fogo com que os condenados do inferno são torturados seja fogo real ou corporal, não apenas no sentido figurado.
Somente nestes últimos tempos é que o tom das declarações a respeito do inferno começou a modificar-se, acentuando mais a seriedade da decisão de vida pela qual o homem é julgado. Assim é que podemos ler no Sínodo das Dioceses da Alemanha Federal, formulado na oitava reunião-geral de 22 de novembro de 1975: "Não ocultamos que a mensagem do juízo de Deus também falo do risco de perdição eterna. Essa mensagem proíbe que de antemão contemos com uma reconciliação e expiação para todos e para tudo o que fazemos ou omitimos. Assim, essa mensagem intervém sempre de novo e de maneira transformadora em nossa vida, trazendo a seriedade dramática em nossa responsabilidade histórica".
Em síntese fica assim:
Dizer não - faz parte das possibilidades mais inquietantes do homem. Mas o que acontece se ele disser não ao amor de Deus? Ele entraria em contradição consigo mesmo. Nós fomos criados para Deus, portanto, seria um atitude não natural do homem negar a Deus. Assim o homem entra na perda integral daquele sentido de vida que ele sempre procurou. Assim ele cai em uma ruína integral de vida.
A consequência seria: o ser humano permaneceria fixado na sua situação de morte. por causa de sua própria recusa em crer em Deus.
Inferno: É o próprio homem que condena a si mesmo!
Hoje, as declarações tradicionais são rejeitadas por muitos teólogos e muitos fiéis.
Caro leitor. Está claro que não se pode tratar de lugar ou de fogo. Criticam o inferno, com todo o direito que o conceito inferno, foi usado como meio de ameaça, provocando medo em vez de amor. A religião quer ganhar o fiél pelo medo e nao pelo Amor a Deus. Isso é uma pena.

Fonte: Blank, R J. Escatologia da Pessoa. Vida, morte e ressurreição. São Paulo: Paulus, 2000.