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16 de maio de 2009

O que é a filosofia da religião?


As religiões são, em geral, compostas por dois elementos principais: as verdades religiosas, as crenças consideradas verdadeiras numa dada religião, e os rituais, isto é, o conjunto de cerimónias com que os fiéis adoram a divindade. Quanto à forma como as conhecemos, as verdades religiosas são de dois tipos: verdades reveladas (isto é, de que o crente tem conhecimento por intermédio de revelação divina, como, por exemplo, a Santíssima Trindade) e verdades de razão, isto é, verdades que podem ser ― independentemente de serem ou não também conhecidas por revelação ― conhecidas unicamente por intermédio da razão, como a da existência de Deus. As primeiras são objecto da religião revelada e as segundas da religião natural ou teologia natural. São estas últimas que interessam mais aos filósofos da religião. O seu objectivo é verificar se podem ou não ser racionalmente justificadas. Assim, a filosofia da religião é o domínio da filosofia que, por processos estritamente racionais, investiga as crenças religiosas mais fundamentais, com o objectivo de determinar se são ou não justificadas.
Fonte: filedu

28 de janeiro de 2009

Revogação de excomunhão a «lefebvristas», «início» no «final» de um caminho

Levantamento da excomunhão imposta em 1988 aos 4 bispos ordenados ilegitimamente pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, divulgado pela Congregação para os Bispos em 24 de janeiro passado, «não é o final, mas o começo de um processo de diálogo», no qual ainda restam questões a serem esclarecidas.

Assim afirmou o cardeal Jean-Pierre Ricard, arcebispo de Bordéus e membro da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei», em uma declaração divulgada pela Conferência Episcopal Francesa, também em 24 de janeiro passado.

Segundo o purpurado, ainda falta regular duas questões fundamentais para que o cisma possa ser considerado terminado: por um lado, «a integração da estrutura jurídica da Fraternidade de São Pio X na Igreja», e por outro, «um acordo em questões dogmáticas e eclesiológicas».


Entre estes temas a debater, o cardeal Ricard se referiu à questão do Concílio Vaticano II como «texto magisterial de primeira importância. Isso é fundamental».

O cardeal Ricard aludiu a outras questões de tipo cultural e político: «As últimas declarações, inaceitáveis, de Dom Williamson negando o drama do extermínio dos judeus são um exemplo disso», afirmou.

«O caminho será longo, sem dúvida, e exigirá um melhor conhecimento e estima mútuos. Mas o levantamento da excomunhão permitirá percorrê-los juntos», acrescentou.


Esta excomunhão foi revogada, explica o cardeal Ricard, após vários pedidos neste sentido por parte de Dom Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, «especialmente após uma carta dirigida ao cardeal Castrillón Hoyos, em 15 de dezembro passado, em nome dos 4 bispos afetados».

«Ele faria o mesmo, com a possibilidade de todo sacerdote de celebrar a Missa com o Missal de São Pio V, uma das duas condições prévias à abertura de um diálogo com Roma. Ele havia feito seus fiéis rezarem por esta intenção», acrescenta o purpurado.


O arcebispo de Bordéus explica também que Bento XVI «quis ir o mais longe possível com a mão estendida, como convite a uma reconciliação», desde sua missão de fazer o possível «por voltar a tecer os fios arrebentados da unidade eclesial».

«O Papa, teólogo e historiador de teologia, sabe o drama que um cisma representa na Igreja. Compreende a questão que com frequência surge na história dos cismas: realmente foram colocados todos os meios para evitá-los?», acrescenta.

Não se deve esquecer, conclui, «que o Papa conhece bem o caso, pois João Paulo II lhe encarregou de colocar-se em contato com Dom Lefebvre para tentar impedir que cometesse o ato irremediável das consagrações episcopais».


«O então cardeal Ratzinger ficou marcado pelo fracasso de sua missão», acrescentou.

O purpurado mostrou sua confiança em que «a dinâmica suscitada pela revogação da excomunhão ajude a colocar em andamento o diálogo querido pelo Papa», e pediu aos fiéis que «rezem pela unidade dos cristãos».

«Não esqueçamos que o caminho mais seguro para avançar na unidade dos discípulos de Cristo continua sendo a oração», conclui.


Fonte:Zenit

19 de janeiro de 2009

Substrato Religioso: O Fundamento do Comportamento da Sociedade Contemporânea?

Os arranjos sociais originários em nossa cultura modificaram substancialmente a maneira com a qual era adotado o comportamento humano, mais precisamente no tocante ao formato comportamental humanístico.

Novos preceitos foram estabelecidos com excepcional celeridade, obedecendo às regras evolutivas a que o ser humano está suscetível, corolário da capacidade de criar normas nas relações com o restante das pessoas interessadas nesse modelo contemporâneo de convivência grupal. Diga-se de passagem, que tal pensamento resta à margem da coletividade, como se depreenderá adiante acerca do contexto abordado.

Para Durkheim (1970:83), toda religião é um fenômeno social, de origem e de natureza social; representa a intenção de toda sociedade, bem como das pessoas que a integram, de salvaguardar os princípios morais dos valores sobre os quais se funda. Isso porque o ser humano necessita de algo maior do que sua própria existência para lhe garantir, assegurar o que está além de suas forças. Sem dúvida, é uma característica inerente a todo o indivíduo, direta ou indiretamente, possua algum credo ou não.

Segundo Milanesi (1974:55), a religião se converte em cultura, pois a experiência religiosa primordial, espontânea e carismática consolida os comportamentos periódicos que progressivamente se ajustam em modelos normativos. Vale dizer, em síntese, que em todo conjunto de pessoas organizadas com um objetivo acordado em comum haverá uma inclinação de práticas religiosas como um substrato mantenedor do conhecimento supletivo do homem.

A despeito da transcendental obediência aos costumes de uma localidade ou povo específico, há, via de regra, a consubstanciação de um fenômeno evidente, mas pouco combatido: a concretização dos preceitos religiosos, encontrando, posteriormente, princípios filosóficos que balizam, sedimentam a aplicação daqueles, haja vista inúmeros trabalhos de grandes estudiosos da Ciência da Filosofia concatenando muitos aspectos de suas teorias às regras metafísicas.

A condição de um tão constatado pluralismo religioso pode constituir determinados contextos num fator de desintegração ou de menor integração de um sistema social, concernente às diversidades em volta. De certa forma, o homem evoluiu em muitos aspectos; entretanto, regrediu noutros. Exemplificativamente: o incremento considerável em áreas como a tecnologia da informação, da saúde, da gestão financeira etc. são avanços notórios e de grande valia a toda raça humana. Em contrapartida, a carência de uma maior atenção em relacionamentos e regras de conduta pública ante a maior parcela do grupo pelo qual está agregado carece de uma completa remodelação, primariamente em assuntos tangentes à educação.

A crescente preocupação da sociedade com o bem-estar coletivo é concebida, originariamente, através dos altos índices da estatística da violência no seio da comunidade, seja ela abstrata ou concreta (diga-se, moral ou física, respectivamente), vislumbrados com certa perplexidade. De fato, tais indicadores têm gerado políticas e projetos sociais cujo feito, sobretudo, é a refrega à ausência de objetividade dos representantes do povo e a diminuição dos impactos na instituição familiar, ressalte-se.

Pode-se afirmar que a proposição de regras de conduta mais austeras defluem de uma cultura paradoxal. Esta, por seu turno, representando a iniciativa de estimular determinados vínculos sociais que se originam da concentração de idéias transformadoras, as quais, entretanto, nas ideologias de pleno consumo comumente observadas no dia-a-dia. A referida iniciativa pode ser analisada sobre as complexas condições em que a sociedade converge a produção de suas relações consoante ao seu próximo, isto é, num mero tratamento cortês ou não a um indivíduo desconhecido.

O instituto religioso vincula-se diretamente às exigências humanas, de modo a responder total ou parcialmente as necessidades humanas. De todo em vista, faz-se mister a atualização e o desenvolvimento dos atuais regramentos vigentes, tais como um poderoso ensino comportamental de base, consolidando no futuro cidadão o pensamento de respeito às tradições e costumes tão valorizados outrora, mas rejeitados em ocasiões cruciais nos dias atuais. Essa alteração precisa da “anuência” de cada indivíduo, qual seja, a aceitação sem coercitividade, puramente idealizada nos planos primários de educação cívica, norteando a posição correlativa dos componentes do formato em comento.

Consoante Weber (2004:23), o passo primitivo para a fase inicial de uma experiência religiosa segue um processo de rotinização de carisma, ou seja, o processo de transformação do carisma da autoridade em carisma da posição adotada pela pessoa, concebendo, como produto dessa mudança, a integração grupal. Conforme o comentado acima, como poderia a sociedade contemporânea absorver o conceito exposto pelo autor citado anteriormente desse ponto de vista? Sem dúvida, as diferentes maneiras de se vislumbrar o mundo atualmente conflitariam incisivamente com os defensores de tal premissa.

Seguindo uma tendência mundial e fruto de movimentos de reestruturação social há muito almejado por diversos meios exploratórios oriundos de culturas fragmentadas, moralmente expondo, a sociedade atual aponta como um aviltante conglomerado de condutas dos indivíduos que a compõe, pelos quais alicerçam significante parcela da coletividade, engendrando, ainda que eclipsadas, promessas irrisórias de melhoria em critérios morais e comportamentais. Urge, nesse sentido, uma reflexão acerca dessa questão: reconhecer a paulatina degradação das normas de convívio e relações interpessoais, e, ainda, a concepção de proposituras que venham agir em uma vertente incumbida de resgatar os valores há tanto relegados pela onda de modernidade deflagrada pela atual ideologia da juventude, a qual, em uma tentativa de expandir seus desejos materiais que se sobrepõem a tudo e a todos, corroboram essa perspectiva de decomposição de preceitos tão importantes à manutenção da convivência mútua.

Fonte: Mundo dos filósofos

DURKHEIM, E. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Paulus, 1970.

MILANESI, J. Sociologia de la Religion. Madrid: Central Catequistica Salesiana, 1974.

WEBER, M. Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2004.

27 de outubro de 2008

Livro digital com os textos da SOTER 2008






"O presente livro vem a público no formato digital (e-book) e consiste no mais recente fruto desse trabalho a muitas mãos de cientistas sociais e intelectuais teologicamente gabaritados. Ele recolhe as contribuições teóricas que tornaram possível o 21º Congresso Anual da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER), sediado em Belo Horizonte de 7 a 10 de Julho, cujo tema foi Sustentabilidade da Vida e Espiritualidade. Estes textos tinham ficado de fora do primeiro volume, que saiu em formato de livro impresso poucas semanas antes do evento. Nosso objetivo foi reunir pesquisadores que fornecessem dados e categorias de análise para, num debate interdisciplinar, do ponto de vista teológico e das ciências sociais da religião, repropor de forma ampla a questão da sustentabilidade integral da vida no planeta e suas implicações nas culturas e religiões de nossos povos.

Um tema grave e urgente que foi abordado de maneira ecológica e plural, acolhendo contribuições do âmbito das religiões, da política, das ciências da vida e da saúde, numa discussão atenta à complexidade que o assunto comporta. Apenas para que o leitor se localize, informamos a seguir os textos que já forampublicados na versão impressa do livro da Soter de 2008 (...) Esse rico material agora é completado, na presente edição digital (e-book) pelas Mesas de Estudo oferecidas pelas Universidades e demais Programas de Pós-graduação convidados, com temas que gravitaram em torno da temática geral do Congresso.

A organização dessas mesas coube à PUC-SP(com apoio da UCG), PUC-Campinas, PUCRS, PUC-Minas, PUC-Rio, ISTA e FAJE. Também estão disponíveis neste livro as comunicações científicas apresentadas nos respectivos Grupos de Trabalho (GTs) organizados para o Congresso. Foram eles: GT Ecologia, trabalho e economia sócio-solidária; GT Religiões, Ecofeminismo e sustentabilidade; GT Ensino Religioso; GT Filosofia da Religião; GT Ecologia, Pastoral e Sociedade; GT Teologia e Sociedade; GT Protestantismo ontem e hoje; e GT Religiões afro-brasileiras e Teologia Negra"(Trecho da Apresentação do livro, feita por Afonso Maria Ligorio Soares, Presidente da SOTER) .


Faça o download do livro, publicado pelas Paulinas, que está em formato pdf e é gratuito:

SOTER (org.) 21º Congresso Anual da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – SOTER. Edição digital - ebook. São Paulo: Paulinas, 2008, 541 p. - ISBN 9788535623031.


Fonte: Observatorio Biblico

17 de outubro de 2008

PAPA CONVOCA A XII ASSEMBLÉIA DO SÍNODO DOS BISPOS PARA 2008. TEMA: "A PALAVRA DE DEUS NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA"

A XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja". A assembléia sinodal vai se realizar, no Vaticano, de 5 a 26 de outubro de 2008.Bento XVI recordou, reiteradas vezes, que "Igreja e Palavra de Deus estão inseparavelmente ligadas entre si", porque, como diz São Pedro, "nenhuma Escritura profética pode estar sujeita a explicação privada".No dia 16 de setembro do ano passado, celebrando o 40º aniversário da constituição conciliar sobre a Divina Revelação "Dei Verbum", ele havia recordado ter sido uma das testemunhas da elaboração desse documento, participando "em primeira pessoa, como jovem teólogo, das discussões que a acompanharam".Graças também ao impulso dado pela "Dei Verbum" _ ressaltou o Papa naquela ocasião _ "foi mais profundamente reavaliada a importância fundamental da Palavra de Deus" e daí derivou "uma renovação na vida da Igreja, sobretudo na pregação, na catequese, na teologia, na espiritualidade e no próprio caminho ecumênico". (RL)

1 de junho de 2008

Teologia Moderna - Religião e história. Parte I

Todas as coisas são em sua medida reflexos do Infinito, mas nem todas as coisas são de igual modo. Portanto, Schleiermacher traça uma séria de círculos concêntricos naquilo que cada um desses revela o Todo ilimitado de uma maneira mais completa que o precedente. Sua ordem é como segue:
(A) - A Natureza. Schleiermacher mostra pouco interesse pela Natureza e praticamente deixa-a de lado, chamando-a de "o pátio dos gentios". Suas leis são melhores que os detalhes de sua beleza e elas lhe parecem religiosamente sublimes, posto que nos falam da unidade e imutalibidade divina.
(B) - O Indivíduo. Para descobrir Deus verdadeiramente, o homem deve primeiro descobrir-se dentro de si mesmo. Cada ser humano é encarnação única do Todo (que é Deus - nota: Marcos). A piedade inclui o Universo em cada vida individual. Tendo em vista a importância primária que Schleiermacher sempre concedeu à individualidade, é estranho notar a ambiguidade de suas expressões deste período a respeito da vida após a morte.
(C) - A Humanidade. A vida individual resulta incompleta se separada da humanidade. " A fim de receber a vida do Espírito do Mundo, e de ter a religião, o homem deve, antes de tudo, em amor e mediante o amor, descobrir a humanidade. Os sentimentos religiosos mais santos são os que expressam a existência do homem na totalidade da humanidade. Os sentimentos religiosos mais santos são os que expressam a existência do homem na totalidade da humanidade.
(D) - A História. "Como pessoas que sentem, constantemente somos impulsionados ao passado. O espírito oferece o principal alimento de nossa piedade, e a história é para a religião, de uma maneira imediata e especial, a mais rica das fontes". É necessário ver a humanidade não apenas como é, mas em seu processo de vir a ser. A contemplação da história pela mente religiosa mostra que é "a maior e mais geral revelação daquilo que é mais profundo e mais santo", posto que nela se manifesta a obra redentora do Amor Eterno ( Deus).
Em todos esses níveis, e de uma maneira cada vez mais adequada, o Universo se retrata no finito, e sua presença pode ser descoberta por aqueles nos quais se tem despertadoe o sentido e gosto pelo infinito.

Fonte: MACKINTOSH, H. R. Teologia Moderna de Schleiermacher a Bultmann. São Paulo: Editora Cristã Novo Século, 2004.