19 de agosto de 2009

Arcebispo diz que pedofilia deve ter tolerância zero

O novo arcebispo de Olinda e Recife, dom Antonio Fernando Saburido, de 62 anos, disse ontem, em sua primeira entrevista após assumir a nova posição,que a Igreja deve ter "tolerância zero" com a pedofilia, que deixa "chagas profundíssimas" nas crianças e não pode ser aceita. Dom Fernando condenou também o que chamou de "teologia da retribuição", adotada por igrejas que partem da premissa de que "se você dá, Deus devolve". E destacou que a religião deve pregar a prosperidade espiritual, e não a econômica.

"Deus é desprendido, é amor, Ele faz as coisas gratuitamente", destacou o arcebispo, ao falar pela manhã no Mosteiro de São Bento, em Olinda.

Em seguida, à tarde, foi realizada a cerimônia oficial, em que dom Antonio assumiu a Arquidiocese em substituição ao conservador dom José Cardoso Sobrinho, na Igreja da Madre de Deus, no Recife.

No cortejo entre a igreja e a Praça do Marco Zero, faixas dos fiéis agradeciam a chegada do novo arcebispo e comemoravam a saída de dom José Cardoso Sobrinho, que anunciou a excomunhão de médicos que fizeram o aborto de uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ser vítima de abuso do padrasto. Havia ainda um boneco de dom Hélder Câmara, que já foi arcebispo de Recife e Olinda. A Praça do Marco Zero estava lotada para receber a primeira missa realizada por dom Antonio Fernando.

Ordenado pelo progressista dom Hélder Câmara, que foi sucedido por dom José Cardoso - responsável pelo desmonte da estrutura instalada por seu antecessor - dom Antonio Fernando disse que vai imprimir o seu estilo próprio na Arquidiocese, aproveitando as experiências positivas dos dois religiosos.

Em um claro discurso de conciliação, em que pretende unir a Arquidiocese de Olinda e de Recife - que engloba nove dioceses, com 101 paróquias distribuídas em 19 municípios -, o arcebispo deixou claro que nenhum segmento da Igreja Católica ou da sociedade será excluído do trabalho a ser realizado e que visará principalmente os mais pobres.

"Precisamos somar forças, todos temos o mesmo objetivo, o de ter uma igreja comprometida com o povo, especialmente os mais carentes e assim darmos passos significativos na evangelização."

E completou: "A opção pelos pobres não pode ser uma teoria, tem que ser uma realidade, a Igreja tem que dar oportunidade a todos."

Fonte:Estadão

Um comentário:

Ana Lúcia Porto disse...

Concordo, tolerância zero para a pedofilia.
Ainda, no caso da excomunhão do médico que fez o aborto daquela criança, passado o tempo de sua "pena" religiosa (já que se encontra amparado pelo Código Penal), ele poderá voltar a praticar todos os atos pertinentes a um fiel católico. Rogo para que ele não tenha ficado ateu, por tal.
Vamos ver como esse novo Bispo irá conduzir a sua evangelização.
Beijos,
Ana Lúcia.