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13 de agosto de 2008

Filosofia e Sociologia nas escolas só no papel

Filosofia e Sociologia nas escolas – só no papel A lei que obriga as disciplinas de filosofia e sociologia no currículo de educação básica das escolas estaduais tem aplicabilidade falha no estado por falta de profissionais.Por Ellen PaesGabriela Duarte. A procura de profissionais de filosofia e sociologia ainda é muito pequena.A aplicabilidade da nova lei que obriga a inclusão das disciplinas de filosofia e sociologia no currículo de educação básica de todas as escolas estaduais brasileiras caminha a passos lentos no estado.
Os profissionais formados nessas áreas são insuficientes para a quantidade de escolas, segundo a sub-coordenadora de Organização e Inspeção Escolar da Secretaria de Estado da Educação, Maria Auxiliadora da Cunha Albano.

Apesar de ainda não ter números precisos a respeito dessa insuficiência, ela afirma que a aplicabilidade da lei tem passado por grandes dificuldades no Rio Grande do Norte.
Realidade que, segundo ela, deve estar pior que a do Brasil - ontem foi divulgada uma pesquisa que indica que a quantidade ideal de profissionais para aplicar a lei no Brasil, deveria ser 20 vezes maior que a atual.
São mais de 31 mil profissionais em todo o território nacional, mas apenas 23% tem formação específica.

“Logo que saiu um parecer falando da obrigatoriedade de inclusão dessas disciplinas, em 2006, já havíamos aberto concurso público para esses profissionais, mas a procura foi muito pequena.”
Por essa razão, a sub-coordenadora explica que em 2007 solicitou ao Conselho Estadual de Educação o respaldo para que profissionais de outras disciplinas pudessem ministrar filosofia e sociologia.

A licença foi concedida a profissionais das áreas de Pedagogia, Ciências Sociais e História, desde que tenham cursado um mínimo de 60 horas das disciplinas e por um prazo máximo de cinco anos, até que a situação se normalize.
“Mas agora com a lei que vigora desde o junho deste ano, a obrigatoriedade passou a ser para todas as séries do ensino médio e dificultou ainda mais, porque se antes, que era para apenas uma das séries, já não havia profissionais, imagina agora?”, questiona.

No momento, a secretaria está reformulando a matriz curricular para adaptar a nova lei e incluir as disciplinas em todas as séries do ensino médio, de acordo com a legislação.
“Não há profissionais suficientes nem para as três cidades onde são ofertados os cursos de filosofia e sociologia, como Natal, Mossoró e Caicó.”
Para ela, trata-se de uma questão cultural. “Precisamos forçar as universidades a oferecer mais vagas para esses cursos e mostrar à população a importância deles”, diz.

Caso em cinco anos essa situação não seja solucionada, Auxiliadora Albano adianta que será obrigada a pedir prorrogação ao conselho para continuar ofertando as disciplinas com profissionais não especializados e continuar cumprindo a lei - da forma que é possível para a realidade de cada local.

3 de julho de 2008

Faltam-nos sábios

Todas as escolas anunciam agora que preparam os seus alunos para o mundo do trabalho. Antigamente a escola era um local de aprendizagem. Agora querem transformá-la num gigantesco centro de formação. Ditames do mundo moderno que escraviza o homem mais e mais.

Ainda haverá cursos de filosofia? E quantos alunos terão? Haverá patrões a querer filósofos nas suas empresas? Os filósofos são para citar nos discursos. Para dar brilho ao que em nós é baço. Mas não devem ser muito produtivos numa empresa. É assim, não é?

E quem diz filósofos diz outros bichos-do-mato do conhecimento. Investigadores que não investiguem directamente para o aumento de produção e do lucro não são necessários.

Gosto de ver que há quem resista. Quem continue a estudar mesmo sem escola. Quem não se conforme. Quem tenha outros interesses para além dos interesses profissionais e que insiste em interrogar-se sobre si próprio e sobre os outros. Sobre a vida. Sobre o conhecimento puro e simples. Faltam-nos sábios e sobram-nos tecnocratas. Há especialistas a mais neste mundo. Faltam-nos pessoas com uma visão global do país e do mundo.


Por João Marcelo Franco Ruíz