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20 de janeiro de 2009

Curiosidades sobre o filósofo Kant

O filósofo nasceu em Königsberg, hoje na Polônia, em 1724. Emanuel era o quarto de nove filhos. Seu pai era correeiro. Os pais de Emanuel eram pietistas intensos. O pietismo surgiu na Alemanha no final do século XVII, na igreja luterana, e foi uma resposta ao dogmatismo religioso da Igreja oficial.

Ao ver fisicamente Kant, muitos tinham impressão de fragilidade. O filósofo era magro, tinha um pequeno porte, peito e ombros delicados e estreitos. Provavelmente, não fosse uma rigorosa disciplina de vida, que incluía desde horários até a alimentação e o repouso, o filósofo não teria vivido tanto. Médicos e amigos próximos reconheciam tais rigores.

Entre as características do filósofo, a primazia pela ordem, disciplina, repetição. Também evitou os deslocamentos. Talvez tenha sido uma viagem à cidade de Arnsdorf, distante cem quilometros de Königsberg, uma das mais longas em sua vida.

Na época em que Kant era professor, Königsberg era uma cidade com aproximadamente 50 mil habitantes. Era um porto importante para os interesses da Prússia Oriental, contava com uma guarnição militar. A população era constituída basicamente por russos, holandeses, ingleses e polacos. Mesmo tendo as possibilidades de um centro cultural, a cidade tinha um forte traço provinciano que lhe valia piadas, como a feita por Frederico, o Grande. Ele se referiu à cidade como apropriada ao treinamento de ursos, mais do que um palco para as ciências.

O filósofo era reconhecido e apreciado em suas audiências públicas e particulares. J. Hammann mencionou que em geral era necessário estar com uma hora de antecedência no local das aulas de Kant, pois assim se conseguia um lugar. Antes do reconhecimento público de seus escritos, havia o reconhecimento dos colegas e alunos.

Kant teve problemas com o rei da Prússia, Frederico Guilherme II. Em 1794, um documento real culpava o filósofo por haver torcido ensinamentos essenciais do cristianismo. Foi exigido de Kant que ele não se ocupasse mais publicamente, por escrito ou mesmo falando em suas aulas, de assuntos ligados à religiosidade.

Por aproximadamente 15 anos Kant trabalhou como livre docente. Ou seja, o filósofo ministrava cursos livres que eram custeados diretamente pelos estudantes. Herder, que fez cursos com Kant, o descreveu da seguinte maneira: as palavras fluíam dos seus lábios, ele tinha graça, humor.

Pensamentos sobre a Verdadeira Avaliação das Coisas Vivas. História Universal da Natureza e Teoria do Céu. Esboço Sumário de Algumas Meditações sobre o Fogo. Os títulos parecem estranhos a muitos alunos que estudam Filosofia, ainda mais quando são informados que o autor é Kant. As obras mostram o grande interesse que Kant nutria pelas ciências, pela matemática, pela física de Newton. Os esquemas de Descartes são emblemáticos em Kant.

Quando morre o pai, Kant passa por dificuldades financeiras e forçosamente deixa os estudos. Para se sustentar, durante quase dez anos torna-se professor particular em residências de famílias abastadas da Prússia Oriental. Kant aprendeu rapidamente os modos da elite de sua época, como conversar, as formalidades de uma nobreza que até então lhe era estranha.

Emanuel perdeu a mãe quando tinha 13 anos. O pai era um homem que pregava a verdade como preceito de vida. Uma porção significativa da austeridade ética de Kant provavelmente veio de seu lar. Escreveria que - nunca teve lugar na casa paterna qualquer coisa que não se adequasse à veracidade e à decência.

Um pastor, ao observar o menino Emanuel, acha que este apresenta talento para o estudo. Com tal incentivo e uma recomendação, aos 8 anos Kant entra na escola. Ainda que nutrindo gratidão por seus professores, Kant sofreu com os rigores excessivos da escola. Durante muito tempo não faria menção aos ensinos básicos que teve.

Fonte: Filosofia

15 de agosto de 2008

Aconteceu o XXII Congresso Mundial de Filosofia

O Embaixador-Delegado Permanente de Angola junto da UNESCO, Almerindo Jaka Jamba, foi convidado para representar esta organização das Nações Unidas no XXII Congresso Mundial de Filosofia, a ter lugar de 30 de Julho a 5 de Agosto deste ano, na Universidade Nacional de Seul, Coreia do Sul, numa organização da Federação Internacional das Sociedades de Filosofia (FISF).

DESTAQUE
Sob o lema “Repensar a Filosofia Hoje”, o XXII Congresso Mundial de Filosofia terá uma sessão de abertura oficial e será composto de fóruns, que incluem também jovens filósofos, da assembleia-geral da FISF e de quatro sessões plenárias, nomeadamente: 1. Repensar a Filosofia Moral, Social e Política: Democracia, Justiça e Responsabilidade Global; 2. Repensar a Metafísica e a Estética: Realidade, Beleza e o Significado da Vida; 3. Repensar a História da Filosofia e as Tradições da Filosofia Comparada: Tradições, Crítica e Diálogo; 4. Repensar a Epistemologia, a Filosofia da Ciência e Tecnologia: Conhecimento e Cultura.
Cinco simpósios irão, por seu turno, debater os seguintes temas: 1. Globalização e Cosmopolitismo; 2. Tradição, Modernidade e Pós –Modernidade: Perspectivas do Leste e do Oeste; 3. A Filosofia na Coreia; 4. Conflito e Tolerância e 5. Bioética, Ética Ambiental e as Gerações Futuras.

A indicação do nome do Embaixador-Delegado Permanente de Angola para representar a UNESCO neste evento internacional, partiu de Pierre Sané, Sub-Director geral para as Ciências Sociais e Humanas da organização e tem em conta a formação e vocação de Jaka Jamba para esta área das Ciências Sociais, bem como a sua participação e afiliação à rede de Filósofos da UNESCO.

A UNESCO sempre estabeleceu laços estreitos com a Filosofia, não uma Filosofia especulativa ou normativa, mas um questionamento crítico que permite dar um sentido à vida e à acção no contexto internacional . A própria UNESCO nasceu de uma interrogação sobre as condições de possibilidade de fazer reinar no mundo, de maneira durável, a paz e a segurança: ela é portanto uma resposta institucional a uma questão filosófica, a qual já havia sido colocada pelo Abade de Saint-Pierre e por Emmanuel Kant.

1 de julho de 2008

“Basta morrer para ficar bonzinho”

O coveiro Osmayr é formado em filosofia:
"Me considero um cético, como Kant"

Trabalho muito próximo da morte.
Além disso, graças ao meu estudo em filosofia, me considero um cético. (O filósofo alemão Immanuel) Kant, por exemplo, acha por bem se afastar da metafísica. Assim, ele prefere deixar Deus como um postulado, uma hipótese plausível. Para ele, as coisas existem na medida em que sua razão alcança. Tenho a mesma posição de Kant.

Desde menino me interessei pela filosofia. Aos 10 anos, conheci Isaac Newton e o achei um gênio. Quando já era coveiro, passei no vestibular do Mackenzie e acabei ganhando uma bolsa de estudos. Hoje sou bacharel em filosofia. Mas não saio do cemitério, não.

Na hora do enterro, tem gente que chora, desmaia, grita. Teve até quem tentou me agredir. Mas não há nada de extraordinário na reação das pessoas. Afinal, elas não querem se separar daquele corpo, né? Elas estão se despedindo não só do cadáver, mas também da amizade, do amor, da relação. Nesse momento, há, na cabeça delas, um embaralhamento entre o campo sensorial e o inteligível.

O sepultador deve ficar sempre numa quase ausência. Porque não posso estar tão presente de modo que a atenção se volte para mim. Também não posso me mostrar tão ausente de modo que não se perceba o que estou fazendo. Pois o ato de sepultar, no Ocidente, é um ato importante, é um ato de misericórdia. Como diz a Bíblia, é necessário devolver o corpo ao Senhor.

Você tem que estar atento. Dentro de um túmulo, pode encontrar lacraias, escorpiões e até cobra. Uma laje mal pregada pode cair em cima de você. Tem que ter atenção também com quem te rodeia – às vezes o cara se joga em cima do caixão enquanto está baixando.

Quando estão ao pé do túmulo, as pessoas pedem para colocar uma rosa, ou então comentam os feitos do morto, tentam tornar o cara um herói: “Esse aí foi um batalhador”, essas coisas. Como diz Machado de Assis: basta morrer para ficar bonzinho.

O dia em que chorei alto foi no sepultamento de um policial militar. O que me emocionou foi a filhinha dele. Na hora de baixar o caixão, ela falou para mim: “Moço, fala para o meu pai levantar”. Aí, enquanto estava baixando o caixão, senti minhas costas molhadas. Achei que estivesse suando, mas eram as lágrimas da garotinha. A menina gritava e eu me senti profundamente impotente. Aí eu chorei alto. A simplicidade e a inocência da menina me tocaram.

Fonte: Época São Paulo

6 de junho de 2008

O filósofo cai no bueiro.

Descartes estava certo mesmo, quando ele diz que as vezes ele não distingue quando está dormindo ou acordado. Na verdade, o real é mesmo realidade?
Passamos o dia a nos questionar sobre tudo. O interessante é que sempre começamos por aquilo que mais aperta o nosso calo.
Por exemplo: o amor. Nem sempre sei o que significa amor. Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos. A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
Esses pensamentos assombrosos tomaram conta da minha ratio (razão) e não fiz outra coisa a não ser pensar nisso por horas a fio. Cheguei a pensar: Se virem um filósofo marido e pai feliz, desconfiem da sua filosofia - pode ser, quando muito, professor ou vulgarizador de metafísica, mas de modo algum um criador de sistemas. Que loucura, credo! Pensei nessa bobeira sim. Mas logo afastei-a do meu pensamento e fui me distrair com comédias proporcionadas pelo youtube. Nada mais relaxante do que distrair sua mente com risadas.
Subitamente veio em minha memória a afirmação daquele monge velhinho do filme "O nome da Rosa", quando ele afirma que não podemos sorrir, pois o sorriso deforma a face, lembrando assim a face do diabo. Outra loucura.
Pensei comigo: bem vou almoçar. Logo, um pensamento sobre a gula recaiu sobre a minha ratio. Comecei a devanear sobre a gula.
Gula é um comportamento compulsivo onde existe uma insatisfação total e irrestrita consigo mesmo e a tentativa de encontrar um remédio para esta angústia, desencadeia sentimentos de frustração e ansiedade que se aplacam com o avassalador ataque ao seu objeto de "prazer".
Que loucura não? Só queria almoçar. A final de contas, estava de jejum desde a hora que acordei.
No cair da tarde, pós almoço, comecei a pensar sobre o futuro e como poderia melhorar meus trabalhos acadêmicos. Tentei usar o método cartesiano. Achei pesado demais. Kant, a não, esse era até meio louco, metódico demais. Droga que filósofo poderia usar como exemplo de vida a seguir.
Só me resta a voltar no tempo. Na longinqua Mileto. Lá morou e viveu um certo pensador chamado Tales de Mileto. Conta-se também que Tales era tão sabido que, prevendo pela meteorologia uma colheita abundante, comprou todos os instrumentos usados para processar a azeitona, arrendando-os tempos depois com um grande lucro.
Pronto achei meu mestre. Quem disse que pensar no futuro é coisa de quem não tem o que fazer? Você pode julgar meu mestre dizendo que ele não era um ser metódico? Acho que não. Ora, qual método é verdadeiro?
Compreendi que o que eu estava fazendo pela manhã e a tarde era um método filosófico. Pensar sobre o futuro é você transcender a materealidade presente.
E a relação do que escrevi com o titúlo, como fica?
Fica que, à noite, quando me dirigia para a faculdade, cai num bueiro. É verdade!! Igual a Tales de Mileto, que um dia andando pela cidade e pensando na vida caiu num poço.
Portanto, buracos, bueiros e poços ajudam o filósofo a voltar para a realidade e fazer as coisas cotidianas da vida. Até mesmo porque não podemos ficar filosofando 24 horas por dia. Precisamos de um tombo para voltar ao mundo real.
Viva os buracos.