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15 de maio de 2009

POR QUE LER NIETZSCHE HOJE

Dentre os clássicos da filosofia moderna, Nietzsche talvez seja o pensador mais incômodo e provocativo. Sua vocação crítica cortante o levou ao submundo de nossa civilização, sua inflexível honestidade intelectual denunciou a mesquinhez e a trapaça ocultas em nossos valores mais elevados, dissimuladas em nossas convicções mais firmes, renegadas em nossas mais sublimes esperanças. Essa atitude deriva do que Nietzsche entendia por filosofia.




Para ele, filosofar é um ato que se enraíza na vida e um exercício de liberdade. O compromisso com a autenticidade da reflexão exige vigilância crítica permanente, que denuncia como impostura qualquer forma de mistificação intelectual. Por isso, Nietzsche não poupou de exame nenhum de nossos mais acalentados artigos de fé. O destino da cultura, o futuro do ser humano na história, sempre foi sua obsessiva preocupação. Por causa dela, submeteu à crítica todos os domínios vitais de nossa civilização ocidental: científicos, éticos, religiosos e políticos.




Nietzsche é um dos grandes mestres da suspeita, que denuncia a moralidade e a política moderna como transformação vulgarizada de antigos valores metafísicos e religiosos, numa conjuração subterrânea que conduz ao amesquinhamento das condições nas quais se desenvolve a vida social. Nesse sentido, ele é um dos mais intransigentes críticos do nivelamento e da massificação da humanidade. Para ele, isso era uma conseqüência funesta da extensão global da sociedade civil burguesa, tal como esta se configurou a partir da Revolução Industrial.




Nietzsche se opõe à supressão das diferenças, à padronização de valores que, sob o pretexto de universalidade, encobre, de fato, a imposição totalitária de interesses particulares; por isso, ele é também um opositor da igualdade entendida como uniformidade. Assim, denunciou a transformação de pessoas em peças anônimas da engrenagem global de interesses e a manipulação de corações e mentes pelos grandes dispositivos formadores de opinião.
O esforço filosófico de Nietzsche o levou a se confrontar com as grandes correntes históricas responsáveis pela formação do Ocidente: a tradição pagã greco-romana e a judaico-cristã; e o que resultou da fusão entre as duas.




Ao longo desse seu confronto com o conjunto da herança cultural de nossa tradição, Nietzsche forjou conceitos e figuras do pensamento que até hoje impregnam nosso vocabulário e povoam nosso imaginário político e artístico. Tais são, por exemplo, as noções de Apolo e Dionísio, transformadas em categorias estéticas, os conceitos de vontade de poder, além-do-homem (Übermensch), eterno retorno e niilismo e a figura da morte de Deus.




É impossível se colocar à altura dos principais temas e questões de nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche. Ateísta radical, ele atribui ao homem a tarefa de se reapropriar de sua essência e definir as metas de seu destino. Dele afirma o filósofo Martin Heidegger: "Nietzsche é o primeiro pensador que, perante a história universal pela primeira vez aflorada em seu conjunto, coloca a pergunta decisiva e a reflete internamente em toda a sua extensão metafísica. Essa pergunta reza: como homem, em sua essência até aqui, está o homem preparado para assumir o domínio da terra?"1




Nesse sentido, Nietzsche é o pensador de nossas angústias, que não poupou nenhuma certeza estabelecida --sobretudo as suas próprias convicções-- e desvendou os mais sinistros labirintos da alma moderna. Com a paixão que liga a vida ao pensamento, Nietzsche refletiu sobre todos os problemas cruciais da cultura moderna, sobre as perplexidades, os desafios, as vertigens no fim do século 19. Dessa sua condição, postado entre o final e o início de duas eras, Nietzsche esboçou um quadro que, em todos os seus matizes, nos concerne ainda, na passagem a um novo milênio, em direção a um destino que ainda não se pode discernir.




A despeito de sua visão sombria, Nietzsche tentou ser, ao mesmo tempo, um arauto de novas esperanças. Sua mensagem definitiva --a criação de novos valores, a instituição de novas metas para a aventura humana na história-- é também um cântico de alegria. Essa é uma das razões pelas quais o estilo de Nietzsche resulta da combinação paradoxal de elementos antagônicos: sombra e luz, agonia e êxtase, gravidade e leveza.




Isso explica por que, para ele, o riso e a paródia são operadores filosóficos inigualáveis: eles permitem reverter perspectivas fossilizadas. Nietzsche, o impiedoso crítico das crenças canônicas, é também um mestre da ironia. Sua ambição consiste em tornar superfície o que é profundidade, restituir a graça ao peso da seriedade filosófica.




Opositor ferrenho da dialética socrática, Nietzsche reedita, no mundo moderno, o gesto irônico do pai fundador da filosofia ocidental. Decisivo adversário de Platão, sua filosofia talvez possa ser caracterizada como uma inversão paródica do platonismo. Definindo-se como o mais intransigente anticristão, dá, no entanto, à sua autobiografia intelectual, escrita no final de sua vida, o título Ecce Homo ("Eis o Homem") --expressão empregada por Pilatos ao apresentar Jesus a seus algozes, pouco antes da Paixão.




Nietzsche, o filósofo-artista, um poeta que só acreditava numa filosofia que fosse expressão das vivências genuínas e pessoais, vendo na experiência estética uma espécie de êxtase e redenção, é, por isso mesmo, um precursor da crítica a um tipo de racionalidade meramente técnica, fria e planificadora. A despeito da profundidade e da gravidade das questões com que se ocupa, sempre as tratou em estilo artístico, poeticamente sugestivo; só acreditava na autenticidade de um pensamento que nos motivasse a dançar. Ele mesmo imagina sobre sua porta a inscrição:
Moro em minha própria casaNada imitei de ninguémE ainda ri de todo mestreQue não riu de si também.2




Sem extravasar os limites dos livros desta série, Folha Explica Nietzsche se propõe a ser uma apresentação geral do homem e do filósofo Friedrich Nietzsche. Seu objetivo é fazer com que o leitor se familiarize com os conceitos, as figuras e o estilo de Nietzsche --não para depois encerrá-los em qualquer câmara da memória, mas sim para despertar seu interesse e estimulá-lo a seguir adiante. Aceitar o desafio de Nietzsche implica, sobretudo, pensar independentemente; e por isso, às vezes, também contra Nietzsche.




1 Heidegger, "Wer ist Nietzsches Zarathustra?"; em: Vorträge und Aufsätze. Pfullingen: Neske Verlag, 1954; p. 102.




2 Epígrafe de A Gaia Ciência; em: Nietzsche, Obra Incompleta. Trad. Rubens Rodrigues Torres Filho. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1974; p. 195.






4 de novembro de 2008

Às vezes a diferença entre o Bem e o Mal é apenas o número de taças ou de horas - Filósofo Luiz F. Pondé

O dia anterior tinha sido de fortes emoções. A conversa com seu chefe, a ligação de seu noivo (e a estranha desatenção que sentiu por ele), as batidas violentas do coração, o medo da saia talvez excessivamente curta, enfim, o suor à noite sozinha na cama. O medo de se perder "na saia excessivamente curta" foi o estopim do pesadelo que tivera. No sonho, deitada em um caixão, morta, ouvia as palavras duras das pessoas: "Imagine, a Andréia, fazer uma coisa dessas...". Como não se sentir uma mulher vulgar tendo tais desejos? O medo de ser apenas comum é uma descoberta que marca o amadurecimento de todo mundo que respira.

Acordou num susto. Ainda olhando para o teto, Andréia foi tomada por um sentimento horrível de culpa. Mas passou, graças a Deus.
Na noite anterior, nada em seu coração parecia indicar medo. Hoje, ela se afogava em temor. Qual seria a razão? Como suportar tamanha variação de humor?Era uma mulher inteligente, e difícil de ser enganada. Ela não corria riscos como se fosse uma menina banal mergulhada em delírios românticos. Às vezes era assaltada pela sensação de que tinha projetos demais e que talvez não quisesse ser tão forte assim para realizá-los. Mas sua geração era condenada à força como forma de vida. Isso era ser livre. Passava os 25 anos. Dizia pra si mesma: "Ainda tem muito tempo...".Olha o relógio e vê que acordou cedo demais. "Vou ler", pensa. Vai até a estante do pai e pega o livro "Para Além de Bem e Mal" do Nietzsche.

A decisão de ler esse livro, muito famoso, veio da sensação que sentira no dia anterior quando conversava com seu chefe. E o que viria a ser "estar além do Bem e do Mal"?Engana-se quem pensa que isso seja uma fórmula filosófica complexa. Estar além do Bem e do Mal para nossa assustada Andréia era o seguinte: caminhar pelo centro velho de Praga de mãos dadas com seu chefe. Por exemplo, visitar a casa do Kafka, o velho cemitério judeu medieval, sentar-se num café, tomar um vinho e juntos sentir frio.

Às vezes a diferença entre o Bem e o Mal é apenas o número de taças de vinho, às vezes os números de horas entre as taças. Simples assim. Afinal, onde estariam seus princípios? Em lugar nenhum. Seria sua ética apenas a distância entre o instinto, o álcool e a culpa?Será que a grana dele a seduzia? Não, isso seria muito humilhante, alguma beleza deveria haver nele. Havia uma leveza no modo daquele homem tratar a vida. A indiferença mesma com a qual ele parecia lidar com o mundo, era o que a atraia. Agarrou-se a esta palavra: "indiferença". Largou o livro. Tropeçou. Comeu além do normal. De pé, contemplava suas roupas: "Hoje vou vestida de freira".

Decidiu que ligaria para seu noivo ainda no caminho. Onde estaria o celular?Descendo a Rebouças, Andréia sentia que o mundo estava rápido demais para as 8 da manhã. Toca o telefone, atende, era o noivo. Ele ligara antes, afinal. Sua prontidão a irritava. Estaria ela, de algum modo, apaixonada pela indiferença?Conversa de amenidades, amaldiçoa o trânsito. Marca um encontro à noite. Desliga. Três ou quatro frases que qualquer um poderia ter falado, uma conversa absolutamente impessoal. Talvez até o almoço voltasse a sentir alguma culpa, e aí estaria salva.Pensa naquele noivo carinhoso e atencioso. "Algo falta nele", pensa. O que pode faltar num homem carinhoso e atencioso? Por um instante, quase esqueceu do seu rosto. "Há algo de errado comigo!"Entra no estacionamento da agência. Percebe, com um salto do coração, que o impossível acontecera.

Chegaram juntos, ela e o indiferente. Por um instante ela pensa em fingir que procurava algo para não ter que suportar 13 andares juntos no elevador. Entre aquele indiferente e a prontidão do noivo, só uma louca ficaria com o primeiro.Seria Andréia agente de seu pequeno destino? O chefe a vê e vem até ela. "Bom dia, Andréia." Ela desce do carro. Entram juntos no elevador. Procura algo para dizer. Deseja ardorosamente que outras pessoas entrem no elevador. Atravessam os andares em silêncio e sozinhos. Na altura do 6º andar, percebe um livro na mão dele."Já leu?", pergunta o indiferente, mostrando a capa. Lia-se em letras vermelhas "O Anticristo" de F. Nietzsche. "Não!" Definitivamente, a vida tomara a dianteira: ela estava à deriva novamente. De repente, a revelação no espelho do elevador! Ela estava com calça muito justa.

25 de outubro de 2008

Casamento, frescobol e tênis (Rubens Alves)

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me.
Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente.
Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice'? Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.'

Scheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme 'O Império dos Sentidos'.
Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.

O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música.
A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.
Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'

Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada'. 'É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética'. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma '.
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.

Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua 'cortada' , palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.

Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois, o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor...
Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

6 de junho de 2008

O filósofo cai no bueiro.

Descartes estava certo mesmo, quando ele diz que as vezes ele não distingue quando está dormindo ou acordado. Na verdade, o real é mesmo realidade?
Passamos o dia a nos questionar sobre tudo. O interessante é que sempre começamos por aquilo que mais aperta o nosso calo.
Por exemplo: o amor. Nem sempre sei o que significa amor. Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos. A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
Esses pensamentos assombrosos tomaram conta da minha ratio (razão) e não fiz outra coisa a não ser pensar nisso por horas a fio. Cheguei a pensar: Se virem um filósofo marido e pai feliz, desconfiem da sua filosofia - pode ser, quando muito, professor ou vulgarizador de metafísica, mas de modo algum um criador de sistemas. Que loucura, credo! Pensei nessa bobeira sim. Mas logo afastei-a do meu pensamento e fui me distrair com comédias proporcionadas pelo youtube. Nada mais relaxante do que distrair sua mente com risadas.
Subitamente veio em minha memória a afirmação daquele monge velhinho do filme "O nome da Rosa", quando ele afirma que não podemos sorrir, pois o sorriso deforma a face, lembrando assim a face do diabo. Outra loucura.
Pensei comigo: bem vou almoçar. Logo, um pensamento sobre a gula recaiu sobre a minha ratio. Comecei a devanear sobre a gula.
Gula é um comportamento compulsivo onde existe uma insatisfação total e irrestrita consigo mesmo e a tentativa de encontrar um remédio para esta angústia, desencadeia sentimentos de frustração e ansiedade que se aplacam com o avassalador ataque ao seu objeto de "prazer".
Que loucura não? Só queria almoçar. A final de contas, estava de jejum desde a hora que acordei.
No cair da tarde, pós almoço, comecei a pensar sobre o futuro e como poderia melhorar meus trabalhos acadêmicos. Tentei usar o método cartesiano. Achei pesado demais. Kant, a não, esse era até meio louco, metódico demais. Droga que filósofo poderia usar como exemplo de vida a seguir.
Só me resta a voltar no tempo. Na longinqua Mileto. Lá morou e viveu um certo pensador chamado Tales de Mileto. Conta-se também que Tales era tão sabido que, prevendo pela meteorologia uma colheita abundante, comprou todos os instrumentos usados para processar a azeitona, arrendando-os tempos depois com um grande lucro.
Pronto achei meu mestre. Quem disse que pensar no futuro é coisa de quem não tem o que fazer? Você pode julgar meu mestre dizendo que ele não era um ser metódico? Acho que não. Ora, qual método é verdadeiro?
Compreendi que o que eu estava fazendo pela manhã e a tarde era um método filosófico. Pensar sobre o futuro é você transcender a materealidade presente.
E a relação do que escrevi com o titúlo, como fica?
Fica que, à noite, quando me dirigia para a faculdade, cai num bueiro. É verdade!! Igual a Tales de Mileto, que um dia andando pela cidade e pensando na vida caiu num poço.
Portanto, buracos, bueiros e poços ajudam o filósofo a voltar para a realidade e fazer as coisas cotidianas da vida. Até mesmo porque não podemos ficar filosofando 24 horas por dia. Precisamos de um tombo para voltar ao mundo real.
Viva os buracos.