6 de junho de 2008

O filósofo cai no bueiro.

Descartes estava certo mesmo, quando ele diz que as vezes ele não distingue quando está dormindo ou acordado. Na verdade, o real é mesmo realidade?
Passamos o dia a nos questionar sobre tudo. O interessante é que sempre começamos por aquilo que mais aperta o nosso calo.
Por exemplo: o amor. Nem sempre sei o que significa amor. Entre a filosofia e o amor não há possibilidade de convivência. A filosofia exila a mulher e a mulher exclui a filosofia. Os filósofos são todos cérebro sem coração nem testículos. Aqueles que tiveram mulheres e filhos são filósofos menores, em segunda mão. Os maiores são todos misóginos. A filosofia tem relação com a castidade: quem se aproxima da mulher não pode alcançar o absoluto. Os filósofos foram eunucos, como Orígenes e Abelardo; ou virgens por eleição, como São Tomás e São Boaventura; ou eternos celibatários, como Platão, Espinosa, Kant, Schopenhauer, Nietzsche, como todos os maiores. Quem teve mulher, como Sócrates, considerou-a empecilho e tortura.
Esses pensamentos assombrosos tomaram conta da minha ratio (razão) e não fiz outra coisa a não ser pensar nisso por horas a fio. Cheguei a pensar: Se virem um filósofo marido e pai feliz, desconfiem da sua filosofia - pode ser, quando muito, professor ou vulgarizador de metafísica, mas de modo algum um criador de sistemas. Que loucura, credo! Pensei nessa bobeira sim. Mas logo afastei-a do meu pensamento e fui me distrair com comédias proporcionadas pelo youtube. Nada mais relaxante do que distrair sua mente com risadas.
Subitamente veio em minha memória a afirmação daquele monge velhinho do filme "O nome da Rosa", quando ele afirma que não podemos sorrir, pois o sorriso deforma a face, lembrando assim a face do diabo. Outra loucura.
Pensei comigo: bem vou almoçar. Logo, um pensamento sobre a gula recaiu sobre a minha ratio. Comecei a devanear sobre a gula.
Gula é um comportamento compulsivo onde existe uma insatisfação total e irrestrita consigo mesmo e a tentativa de encontrar um remédio para esta angústia, desencadeia sentimentos de frustração e ansiedade que se aplacam com o avassalador ataque ao seu objeto de "prazer".
Que loucura não? Só queria almoçar. A final de contas, estava de jejum desde a hora que acordei.
No cair da tarde, pós almoço, comecei a pensar sobre o futuro e como poderia melhorar meus trabalhos acadêmicos. Tentei usar o método cartesiano. Achei pesado demais. Kant, a não, esse era até meio louco, metódico demais. Droga que filósofo poderia usar como exemplo de vida a seguir.
Só me resta a voltar no tempo. Na longinqua Mileto. Lá morou e viveu um certo pensador chamado Tales de Mileto. Conta-se também que Tales era tão sabido que, prevendo pela meteorologia uma colheita abundante, comprou todos os instrumentos usados para processar a azeitona, arrendando-os tempos depois com um grande lucro.
Pronto achei meu mestre. Quem disse que pensar no futuro é coisa de quem não tem o que fazer? Você pode julgar meu mestre dizendo que ele não era um ser metódico? Acho que não. Ora, qual método é verdadeiro?
Compreendi que o que eu estava fazendo pela manhã e a tarde era um método filosófico. Pensar sobre o futuro é você transcender a materealidade presente.
E a relação do que escrevi com o titúlo, como fica?
Fica que, à noite, quando me dirigia para a faculdade, cai num bueiro. É verdade!! Igual a Tales de Mileto, que um dia andando pela cidade e pensando na vida caiu num poço.
Portanto, buracos, bueiros e poços ajudam o filósofo a voltar para a realidade e fazer as coisas cotidianas da vida. Até mesmo porque não podemos ficar filosofando 24 horas por dia. Precisamos de um tombo para voltar ao mundo real.
Viva os buracos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Shalom!! amigo Filósofo Martins, este seu artigo ficou muito bom, ainda estou dando risada, talvez minha face fique deformada. És agora discipulo do primeiro filósofo?
Consta que Tales desafiava aqueles que conheciam as suas idéias a demonstrar que não tinha razão, esta é uma caracteristica da ciência e da filosofia. Você chegou na mesma conclua que seu mestre, ou seja, o principio de tudo é a água?

Anônimo disse...

Senhor filósofo de botequim,

Sugiro a Vossa Senhoria que compre alguns livros de Concordância verbal e de Regras de acentuação.

O saudoso Mário Quintana já dizia: "Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem"